Zé Domingos vê crise avançar, defende congelar salários e barrar concursos
O cenário pode ser colocado em prática com a Lei do Teto de Gastos
Congelamento de salários e a suspensão de concursos públicos estão entre os caminhos apontados para solucionar o problema de falta de recursos no Estado, que este ano já registra uma receita R$ 690 milhões menor do que a estimada no orçamento.
A avaliação é do deputado Zé Domingos Fraga (PSD). O cenário pode ser colocado em prática com a Lei do Teto de Gastos, que deve chegar à Assembleia nos próximos dias. “Não tem como reduzir salário, mas a Lei do Teto permite que se faça congelamento caso não alcance dispositivo na Lei de Responsabilidade Fiscal”, argumenta Zé Domingos, presidente da Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária (CFAEO) da Assembleia.
Segundo ele, ninguém imaginou que a crise econômica ainda estaria forte este ano. “Nós pecamos quando inserimos 4 mil novos policiais na secretaria de Segurança Pública. Nós pecamos quando abrimos outros concursos públicos, dentre eles o que está abrindo agora para a secretaria de Educação. Isso sem dúvida tem onerado de forma significativa no orçamento do Estado.”
'Cobertor curto'
De acordo com Zé Domingos, 73% da receita corrente são destinados à folha de pagamento, 16% para custeio e 2% sobram para investimentos. Nessa linha, diz que o crescimento da folha é de R$ 200 milhões por quadrimestre.
Esse ano, o percentual da RGA está em 6,58% e deve impactar as contas públicas em mais de R$ 500 milhões. Em 2018, a estimativa é de 4,19%, já previsto na LDO.
Hoje, segundo o presidente da Assembleia Eduardo Botelho, o governo não teria mais como cortar pessoal e o Estado trabalha com 2 mil comissionados.
Por isso, defende a taxação do agronegócio para melhorar a receita, mas reconhece ser impossível aprovação nesse mandato.