Zé Domingos e procuradora não vão ao Gaeco depor sobre propina
Com isso, as inquirições foram remarcadas para as próximas terça e quarta-feira
Pelo segundo dia consecutivo, os investigados da operação Bereré, que apura esquema de pagamento de propina no Departamento Estadual de Trânsito (Detran), não compareceram à sede do Grupo Especial de Atuação Contra o Crime Organizado (Gaeco), nesta quinta-feira (5), para ser interrogados sobre valores recebidos da empresa DFL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos Ltda, atual EIG Mercados Ltda, que mantinha contrato com a autarquia desde 2009.
Estavam previstas as oitivas do deputado estadual José Domingos Fraga (PSD) e da procuradora do Estado Marilci Malheiros Fernandes de Souza Costa e Silva. Ambos apresentaram atestado médico para justificar a ausência nesta quinta-feira. Com isso, as inquirições foram remarcadas para as próximas terça e quarta-feira, pela manhã.
Na quarta-feira (4), o deputado estadual Wilson Santos (PSDB) e o ex-servidor do Detran, Dauton Luís Santos Vasconcellos também não foram prestar depoimento.
José Domingos Fraga e Marilci seriam ouvidos porque as investigações do Ministério Público Estadual (MPE) apontaram que eles teriam recebido e repassado valores de e para outros investigados entre os anos de 2009 e 2014. Marilci teria recebido mais de R$ 752,2 mil, sendo mais de R$ 656 mil do advogado Marcelo da Costa e Silva, R$ 60 mil de Igor da Costa e Silva, R$ 25 mil da EIG Mercados e R$ 10 mil do deputado estadual Eduardo Botelho (DEM), então sócio da Santos Treinamentos, que mantinha vínculo com a FDL Serviços, na época.
Além disso, o MPE constatou que Marilci também repassou cerca de R$ 42,7 mil, sendo R$ 31,2 mil para Marcelo da Costa e Silva, R$ 10 mil para Eduardo Botelho e R$ 1,5 mil para Igor da Costa e Silva.
Já o deputado José Domingos Fraga teria recebido R$ 100 mil e repassado esse valor para seu então assessor na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Jorge Batista da Graça, que revelou em depoimento ao Gaeco que, a pedido do parlamentar, depositou o dinheiro em sua conta pessoal. Posteriormente, ele usou o dinheiro para pagar contas e boletos de Fraga, o que ocorreu entre os dias 3 e 6 de fevereiro de 2014, conforme consta nos autos.
De acordo com o MPE, houve dois repasses de R$ 50 mil cada, ambos tendo como origem Claudemir Pereira dos Santos, outro investigado na operação.