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Zaqueu diz que recebeu R$ 12 mil de Paulo Taques para grampos
Ação apura crimes militares relativos ao suposto esquema de grampos clandestinos operado no Estado
O juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar de Cuiabá, reinterroga nesta terça-feira (16) três réus da ação que apura os crimes militares relativos ao suposto esquema de grampos clandestinos operado em Mato Grosso.
São eles: o ex-comandante da PM, coronel Zaqueu Barbosa, o ex-secretário-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco, e o cabo da PM Gerson Correa.
Ainda são réus ação penal o coronel Ronelson Barros, ex-adjunto da Casa Militar, e o coronel Januário Batista.
A placa que abrigava o sistema de escuta era do MPE, disse Zaqueu. Gerson contou a Zaqueu que ele mesmo entregou a placa, que ficava sob sua responsabilidade no Gaeco, a Paulo Taques.
Coronel Zaquel Barbosa conta que foi chamado pelo então secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque.
"Fui chamado na casa de Mauro Zaque e quando cheguei lá ele me falou: você está fazendo coisa errada. Eu disse que tinha ouvido militares e ele me falou que era 'Barriga de Aluguel', afirma Zaqueu
O então secretário, segundo o coronel, apontou nomes de algumas pessoas que Zaqueu estava grampeando e outras que Zaqueu disse que não conhecia
"O senhor é amigo do governador e não sabia? Como o senhor acha que ganha uma eleição? Agora o senhor sabe que isso está acontecendo", revela Zaqueu.
Zaqueu disse que tinha contado sobre as escutas para Galindo, então secretário-adjunto de Zaque, na Secretaria de Segurança Pública.
"Pai doente"
O coronel Zaqueu afirma que o pai ficou doente e ele desistiu de continuar na escuta. Procurou Pedro Taques, que o recebeu na casa dele em um sábado. Lá, ele explicou a situação e deixou o cargo. "Eu deixei o comando geral e fui enterrar meu pai", conta.
Segundo o cornel, ele foi usado. Disse também que Pedro Taques se valeu das escutas e o MPE também. "Hoje eu arco com as consequências do que eu fiz".
Zaqueu disse ainda que o cabo "Gerson me contou que o promotor Março Aurélio tinha pedido a ele para interceptar Janaina Riva porque não conseguia interceptar José Riva" e que nome dela foi colocado na lista de "Barriga de Aluguel".
O coronel Zaqueu Barbosa afirmou que recebeu R$ 12 mil do advogado Paulo Taques, que viria depois a assumir Casa Civil do governo Pedro Taques (PSDB) para comprar equipamentos que seriam utilizados nas escutas telefônicas ilegais. Zaqueu disse que pegou o dinheiro no escritório de Paulo Taques.
Os 12 mil estavam distribuídos em notas de R$ 100. Zaqueu conta que nas interceptações foram ouvidas conversas que ligava Tatiana Sangalli, então amante de Pauo Taques, ao jornalista José Marcondes, o Muvuca. Nesta escuta, daria para entender sobre um atentado contra Pedro Taques. Segundo ele, a ligação também dizia sobre possível casamento dela com João Arcanjo.
Zaqueu revelou que também foi monitorado o escritório do ex-deputado José Riva para saber da possibilidade da esposa do ex-parlamentar, Janete Riva, ser indicada a uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Explica ainda que José Antonio Rosa e José do Patrocínio, alvo de escutas, eram advogados de adversários de Taques na eleição de 2014.