Operação policial detém pessoas com presentes para distribuir em nome de facção
Objetivo era usar entrega de presentes para reforçar influência da facção junto à comunidade
Na noite de sábado (11), uma ação conjunta do 13º Batalhão da Polícia Militar e da Cavalaria resultou na prisão de três homens, uma mulher e uma adolescente, todos com suposto envolvimento em uma facção criminosa, em Lucas do Rio Verde (MT). A operação ocorreu em uma residência apontada como ponto de venda de drogas, onde foram apreendidos entorpecentes e uma caixa recheada de brinquedos, doces e refrigerantes destinados, segundo o grupo, à distribuição para crianças uma estratégia de apelo social para fortalecimento de domínio territorial.
O flagrante ocorreu quando os policiais realizavam patrulhamento ostensivo e avistaram um grupo em atitude suspeita diante do imóvel. Um dos suspeitos tentou fugir para dentro da casa, mas foi contido. Durante revista pessoal, foram encontradas porções de maconha e pasta base. Com autorização da proprietária, buscas no interior revelaram um tablete adicional da droga, mais porções e a improvisada “caixa de distribuição social”. A moradora afirmou que havia recebido o material de membros da facção para uma comemoração do Dia das Crianças.
Todos os envolvidos foram conduzidos à delegacia local junto aos materiais apreendidos para os procedimentos legais.
A tática adotada não é isolada. Em Alta Floresta, cerca de 400 km ao norte de Sorriso, uma operação policial desarticulou uma ação praticamente idêntica: foram detidas treze pessoas, também ligadas a facções criminosas, durante um evento planejado com distribuição de brinquedos, doces e bebidas para crianças em um bairro da cidade. A polícia alegou que essa “festinha” funcionava como estratégia de aproximação da facção com a comunidade local.
Em Sorriso, uma ação planejada contra essas práticas só não foi consumada porque a força tática do município já autorizou intervenções preventivas e identificou grupos que estariam mobilizando grandes quantidades de brinquedos e refrigerantes. Os agentes afirmam que essa prática use de apelo infantil e social para fortalecimento de influência é conhecida entre organizações criminosas da região.
Segundo as autoridades, a distribuição de material infantil é uma forma de promoção de fachada, usada para legitimar a presença da facção nas comunidades e atrair laços de dependência com famílias vulneráveis.