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Supersafra acende alerta: déficit de armazenagem em Mato Grosso salta 44 % e pode chegar a 49 milhões de toneladas
A colheita avança em ritmo acelerado nas lavouras mato-grossenses e, já nesta sexta-feira (5), cerca de 20 % da safra de soja e milho deverá estar no armazém ou à espera de espaço. O problema é que a infraestrutura disponível não cresceu no mesmo compasso. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que a capacidade estática do Estado para o ciclo 2024/25 é de 52,32 milhões de toneladas, apenas 0,96 % maior que no ciclo anterior.
Do outro lado da balança, a produção combinada de grãos deve alcançar 101,27 milhões de toneladas, alta de 17,93 % em relação à safra 2023/24. O descompasso gera um déficit projetado de 48,95 milhões de toneladas 43,74 % superior ao rombo registrado no ano passado e o maior já calculado para o Estado.
“Gargalo logístico” vira expressão-chave
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) defende que o cenário é agravado pelo atraso nas vendas antecipadas da soja 24/25. Sem contratos fechados, o produtor segura o grão à espera de preços melhores, o que aumenta a disputa por cada metro quadrado de armazém e pressiona o escoamento rodoviário.
Nos últimos anos, muitos agricultores recorreram a silo-bags bolsas plásticas de até 200 toneladas como solução de emergência. Embora tenham aliviado parte da pressão, esses dispositivos são considerados paliativos: oferecem menor segurança contra umidade, pragas e variações térmicas, exigindo monitoramento constante para evitar perdas pós-colheita.
Desafios além da porteira
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Pico de tráfego – Com armazéns abarrotados, caminhões tendem a formar filas nos pátios das unidades de recebimento. A lentidão na descarga encarece o frete e congestiona corredores até os portos de Miritituba (PA) e Santos (SP).
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Queda de preço na “safra cheia” – Sem espaço para estocar, parte dos produtores é obrigada a vender a mercado mesmo em cotações baixas, reduzindo margens.
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Investimento estrutural – Para acompanhar o salto produtivo, o Estado precisaria ampliar a capacidade em pelo menos 7 % ao ano até 2030, segundo cálculos do setor. Construir novos silos metálicos, no entanto, demanda capital intensivo, licenças ambientais e prazo mínimo de 12 a 18 meses.
O que pode mudar o jogo
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Crédito direcionado: cooperativas e cerealistas pleiteiam linhas específicas do Plano Safra com juros reduzidos e carência ampliada para projetos de armazenagem.
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Ferrovias e hidrovias: a conclusão da Ferrogrão e a reativação da hidrovia Teles Pires-Tapajós são apontadas como saídas para reduzir a dependência do modal rodoviário.
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Parcerias público-privadas: municípios buscam atrair investidores por meio de incentivos fiscais e áreas concedidas para construção de armazéns regionais.
Enquanto a infraestrutura não acompanha a supersafra, o produtor mato-grossense enfrenta uma corrida contra o tempo e contra o céu: armazenar com segurança tornou-se tão crítico quanto plantar ou colher. O êxito dessa etapa definirá não só os números finais da produção, mas também a rentabilidade de milhares de propriedades em 2025.