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Mulher que denunciou abuso sexual em delegacia de Sorriso é presa novamente e obtém liberdade provisória na Justiça
Gestante foi detida no Hospital Regional por mandado de prisão em aberto, mas teve a custódia substituída por medidas cautelares, incluindo monitoramento por tornozeleira eletrônica
A Justiça concedeu liberdade provisória à mulher que denunciou ter sido vítima de violência sexual dentro da Delegacia de Polícia Civil de Sorriso. A decisão foi proferida pelo juiz Anderson Clayton Dias Batista e determina que a investigada cumpra medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno.
A prisão ocorreu na última segunda-feira (22), quando a mulher foi localizada durante atendimento no Hospital Regional de Sorriso. Grávida de cinco meses, com gestação considerada de risco e em tratamento por problemas renais, ela possuía um mandado de prisão em aberto por supostos crimes de sequestro, cárcere privado e tortura. A defesa solicitou a substituição da prisão por medida menos gravosa, argumento acolhido pelo magistrado.
Na decisão, o juiz entendeu que não houve demonstração de risco concreto de interferência da investigada nas apurações em andamento. Com isso, foram impostas medidas como comparecimento obrigatório aos atos processuais, monitoramento eletrônico e permanência em casa entre 22h e 5h, exceto em situações médicas devidamente comprovadas.
O caso ganhou repercussão após a denúncia de que a mulher teria sido abusada sexualmente dentro da unidade policial em dezembro do ano passado. O servidor da Polícia Civil identificado pelas iniciais M.B.S., de 52 anos, foi preso em fevereiro deste ano. Exames realizados pela Politec em Sorriso e posteriormente confirmados por laboratório forense em Cuiabá apontaram a ocorrência de violência sexual e identificaram material genético do investigado nas amostras coletadas durante a perícia.
Segundo as investigações, os abusos teriam ocorrido entre os dias 9 e 10 de dezembro, quando a vítima estava custodiada na delegacia. O inquérito aponta que ela teria sido retirada da cela e levada para um cômodo isolado, onde os crimes teriam sido praticados. O policial nega as acusações, mas os laudos periciais integram o conjunto de provas analisado pela Justiça.