Vinte e nove policiais foram mortos em MT desde janeiro do ano passado
Os números incluem assassinatos, acidentes de trânsito e suicídios
O Secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, aponta que, nos últimos 18 meses, 29 policiais tiveram morte violenta no Estado de Mato Grosso. Os números incluem assassinatos, acidentes de trânsito e suicídios.
Em 2016, foram 26 policiais, entre civis e militares. Três policiais militares estavam em serviço. De modo geral, 15 policiais militares e 11 civis tiveram morte violenta naquele ano.
Este ano três casos de assassinatos de policiais da reserva foram registrados, alvos de disparos de arma de fogo.
Os dados da secretaria também indicam que dois policiais militares foram mortos fora de serviço em 2017.
Jarbas ainda ressaltou a preocupação da pasta em relação aos assassinatos de policiais aposentados ou da reserva.
No final de fevereiro, o sargento da Reserva Remunerada da Polícia Militar, Carlos Venerio da Silva foi baleado na cabeça por dois bandidos, que tentavam roubar a caminhonete Hillux dele no bairro São Matheus, em Várzea Grande.
Duas semanas depois, o policial militar aposentado, Gilson Santos da Silva, 44, foi assassinado com cinco tiros, quando estava em frente a um mercado conhecido como Brum, na Capital.
Gilson foi assassinado pelo vizinho por conta de uma rixa que começou por causa da disposição do ‘lixo’ na rua dos envolvidos. Conforme as investigações, o policial já tinha tentado matar o vizinho e voltou a fazer ameaças, o que motivou seu assassinato.
“Há uma preocupação da secretaria em relação à essas mortes. Mesmo sedo algumas de profissionais aposentados e estando de inatividade, ainda assim são profissionais de Segurança Pública”, aponta Jarbas.
O caso mais recente aconteceu no mês de abril. Argentino José Alves Neto, 46, e sua mulher, Lilian Gress Moraes, 29, foram assassinados com tiros na cabeça, enquanto trafegavam pelo bairro Altos da Glória, em uma motocicleta.
De acordo com informações da Polícia Militar, o casal trabalhava como seguranças de uma construtora no bairro.
Conforme Jarbas, a atividade de segurança privada não é ilegal desde que o policial seja aposentado e cumpra com os requisitos legais, mas alega que esses profissionais estão mais suscetíveis ao crime, por estarem ‘sozinhos’.
“Há uma vulnerabilidade muito maior porque eles não têm um sistema de segurança pública como suporte. Diferente de um Policial Militar que está dentro da viatura, com um rádio e outro profissional dando suporte”, explica.
Em relação aos profissionais de Segurança Pública, que estão de forma ativa e ainda assim prestam serviços de segurança privada, o comandante do 1º Comando Regional, coronel Edgar Maurício Monteiro Domingues, disse ser contra os chamados ‘bicos’.
Em relação às mortes, Rogers Jarbas admitiu que foi solicitado junto à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) ‘prioridade’ nas investigações desses casos, mas não é possível apontar uma relação entre eles.
“À princípio essas mortes não têm relação, são casos isolados, individuais e cada um tem uma motivação. Talvez a forma de execução do crime seja semelhante, mas a motivação que vai dizer se tem alguma relação ou não”, explica Jarbas.