Viana acusa 'colegas' de pegar propina e depois recua
Pedetista acusou o atual governo de querer continuar com a corrupção da gestão anterior
O deputado estadual Zeca Viana (PDT) acusou colegas de receberem dinheiro de empresa de Cuiabá para retirar do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras da Copa do Mundo de 2014 pontos importantes, que foram alvo de emenda apresentada ao Plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), durante sessão.
Em seu discurso na tribuna, Viana reclamava do fato do Governo do Estado ter pago cerca de R$ 3 milhões para a empresa de consultoria e auditoria KPMG elaborar parecer, que apontou diversas falhas no Consórcio VLT, responsável pela obra do Veículo Leve sobre Trilhos e, agora, com o acordo firmando com a empresa, pagar R$ 4 mil a outra empresa, que deu parecer favorável à retomada do modal de transporte.
“Não é possível um negócio desse! Para conseguir parecer favorável, é onde tem membro da CPI que estão sabendo que recebeu dinheiro pra poder alterar o relatório. E não é presidente, são membros. Isso é inaceitável. Que trabalho sério nós vamos fazer desse jeito?”, esbravejou.
Em seguida, o pedetista acusou o atual governo de querer continuar com a corrupção da gestão anterior. “Se nós temos um parecer que está mostrando que esse consórcio não pode continuar, que já roubaram o que deu no governo do Silval e querem continuar roubando. É claro e notório que querem continuar roubando!”, acusou.
Ainda em sua fala, o deputado propôs que o deputado suspeito de receber propina para mudar o relatório da CPI fosse denunciado. “Nós temos que denunciar no Ministério Público! Levar esse deputado que está suspeitando que pegou dinheiro, fazer ele ir pro Ministério Público se explicar o porque que veio essa alteração. Depois, passa nós todos por bandido. Bandido pode ser que tenha sim, mas não todos!”.
A sugestão foi defendida pelo líder do governo na Assembleia, Dilmar Dal Bosco (DEM), que cobrou de Zeca Viana os nomes dos suspeitos. “Eu gostaria que ele citasse nomes até por decoro parlamentar, tem que provar”.
Mas, Viana desconversou e disse que não sabia. “Ele levo pro Ministério Público, pessoas competentes. Eu não vou ficar espalhando aqui. Foi gente que ficou com a chave do cofre e depois fechou o relatório. E aí, não sei. É vocês que sabem”.
Ele ainda acrescentou que uma empresa da Capital estaria envolvida no esquema. “Tem empresa envolvida, empresa daqui de dentro de Cuiabá, aonde que interfere nas coisas”.
Mudança de discurso
Após sua participação na discussão em Plenário sobre o VLT, já nos bastidores, aos jornalistas, Zeca Viana mudou novamente seu discurso, dizendo que o relatório da CPI não foi alterado. “Não foi o relatório que alteraram, alteraram outra situação lá. Então, a CPI realmente ficou fragilizada, mas eles colocaram uma emenda agora para que o relatório tenha força”, afirmou.
Tentando remediar a situação, ele ainda declarou que a acusação ajudou a encaminhar a proposta de emenda apresentada por Mauro Savi (PSB). “Apesar daquela minha fala, ela foi muito boa porque despertou a curiosidade para que realmente essa emenda fosse anexada ao relatório final. O presidente estava em dúvida, estava inseguro. Então, essa emenda veio para garantir e a base do governo não estava querendo aceitar. Com aquela minha fala, foi anexado ao relatório final”, defendeu.
Questionado quem eram os deputados e quais os indícios de fraude ele teria para levar ao Ministério Público, conforme propôs ao Plenário, o parlamentar admitiu que tudo não se passava de conversas de corredor. “Eu não tenho os nomes, o que eu tenho foi aquilo que eu falei, que eu ouvi as pessoas falando lá e a revolta dos próprios membros da CPI, que não é justo, óbvio, fazer um trabalho como foi feito e depois não ser valorizado lá na frente”.