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Venezuelanos têm dificuldades para conseguir trabalho formal e encaram subempregos
Mais de 130 venezuelanos tiveram os documentos regularizados no estado em 2018
Ao menos cinco venezuelanos desembarcam em Cuiabá a cada semana, trazendo na bagagem esperança e o mínimo para garantir a sobrevivência de si próprio e da família que deixaram para trás na Venezuela. Os dados são da Casa do Migrante, instituição filantrópica localizada no Bairro Carumbé que acolhe os imigrantes recém-chegados na capital.
Os imigrantes enfrentam grandes dificuldades para arrumar emprego formal - por causa da legalização da documentação no Brasil e pela barreira da língua e da cultura. Também concorrem às vagas de emprego com os brasileiros, considerando o alto índice de desempregados no país.
Quando chegam à capital mato-grossense sem nenhum tostão, os venezuelanos são recebidos em casas de apoio e têm alimentação e hospedagem assegurados a partir de doações.
Cestas básicas, roupas e itens básicos chegam a todo momento à Casa do Migrante. A casa é de passagem e oferece, além de comida e pouso, assistência para a retirada da documentação necessária para a permanência no país e a emissão da carteira de trabalho. Normalmente, os imigrantes ficam até conseguirem um trabalho que garanta renda para que possam pagar aluguel de outro espaço.
Os números em Mato Grosso
Dados da Polícia Federal de Mato Grosso apontam que 133 venezuelanos tiveram os documentos regularizados no estado neste ano. Destes, 63 em Cuiabá.
Para a auditora fiscal do trabalho Marilete Mulinari Girardi, que atua há 28 anos nessa função, a rotatividade dos venezuelanos no estado é muito grande e é difícil estimar a quantidade de imigrantes que chegaram ao estado.
Nem a auditora, nem a Casa do Migrante, têm controle específico de quantos venezuelanos permaneceram.
Neste ano, somente pela Casa do Migrante passaram 284 venezuelanos fora do projeto de interiorização criado pelo governo federal, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU). Pelo projeto, o abrigo acolheu 169 venezuelanos que chegaram em cinco grupos que saíram de Roraima.
A auditora auxilia os imigrantes a conseguirem documentação e regularização junto à Polícia Federal no pedido de refúgio.
“Diariamente estão chegando outros venezuelanos. Eles vêm de ônibus, avião, carona e até de bicicleta. Muitos deles chegam em Mato Grosso porque já tinham parentes aqui. Cerca de 70% a 80% deles trouxeram parentes”, declara Girardi. Saiba mais.