Valdir Piran confirma dívida de R$ 10 milhões de Silval
Dos R$ 15 milhões, R$ 10 milhões foram utilizados para pagamento de uma dívida
O empresário do ramo de factoring Valdir Piran e o ex-secretário de Estado de Planejamento Arnaldo Alves de Souza Neto prestam depoimento na tarde desta quinta-feira (27) na audiência de instrução referente à ação penal oriunda da operação Sodoma 3, que apura fraude de R$ 15 milhões na desapropriação do terreno do bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá, ocorrida em 2014.
Dos R$ 15 milhões, R$ 10 milhões foram utilizados para pagamento de uma dívida do grupo político do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), conforme este mesmo já confessou na semana passada. Em relação a essa dívida, Piran teria ido até o Palácio Paiaguás, à época, e tentado agredir fisicamente o então governador, o que é negado por ambos, mas afirmado pelo ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, que testemunhou o fato.
O réu afirma que a dívida original de Silval Barbosa com ele era de R$ 5 milhões, que foi feita à pessoa física do ex-governador. ele explica que rejeitou os cheques recebidos de Silval porque eram de pessoas jurídicas e muitos já estavam vencidos. "Eu não cheguei a depositar, mas levei de volta. O pedro sabe disso".
Veja os detalhes:
Valdir Piran diz que é fácil descobrir a verdade e sugere oitiva de Pedro Nadaf e Filinto Muller, já que são colaboradores do MPE.
Como avisado por Pedro Nadaf, Filinto Muller teria procurado Valdir Piran dizendo que queria assumir a dívida de Silval Barbosa, que chegou com R$ 2,5 milhões e um cheque de R$ 7,5 milhões e querendo a nota promissória de Silval de volta. Ele nega a versão apresentada por Filinto Muller de que a dívida tenha sido paga em sete parcelas.
Por fim, Silval teria entregado alguns cheques para Piran, mas, ao chegar em casa, o empresário viu que nenhum daqueles cheques serviam porque eram de terceiros, alguns pré-datados e já vencidos. No dia seguinte, ele foi até o gabinete da Casa Civil, onde Pedro Nadaf era titular e pediu para falar com o então governador. Quando este chegou, Piran reclamou dos cheques, ja irritado. por causa disso, o então governador teria se negado a falar com ele e deixou a sala com Nadaf "Eu fiquei esperando. E eu não me lembro direito se ele falou que o Filinto [Muller] iria pagar essa dívida".
Sobre a dívida do ex-governador consigo, o empresário conta que falou para Silval Barbosa que não queria ficar indo cobrá-lo no Palácio Paiaguás. ele nao falou o valor real da dívida, mas que Silval disse que iria pagar R$ 10 milhões. A denúncia do Ministério Público aponta que a dívida seria de R$ 30 milhões. Diante disso, Piran exigiu um cheque. "O Silval tinha muita paciência, era muito educado e isso vai te levando para uma situação complicada", diz. "Eu achava muito ruim ir até o Palácio pra falar com ele e a única maneira que eu tinha de falar com ele era no Palácio", afirma.
"Para surpresa minha, eu não fui chamado aqui e quando vi, já tinha pedido de prisão. Achei estranho porque já tinha me colocado a disposição da Justiça para esclarecer. Eu sempre me coloquei a disposição. inclusive, pra gente vir de Brasília pra Cuiabá, eu tinha comprado 10 passagens aéreas porque a gente foi perdendo os voos porque os policiais tinham que trazer o senhor Arnaldo junto", relata sobre sua prisão. "Eu sinto que quanto mais quero colaborar, pior fica a situação pra mim, reclama. O empresário também afirmou que se sentiu em um "castigo" no dia em que foi preso. A juíza o interrompe e pede que ele relate não sobre sua prisão, mas sobre a dívida de Silval Barbosa com ele.