Empresário ligado ao setor de mineração morre em grave acidente na BR-163 entre Sorriso e Sinop
“Tudo será esclarecido”, diz ex-vereador de Sorriso sobre fazenda de calcário
Competição levanta suspeitas sobre juízes de Mato Grosso
Uma fazenda de calcário localizada em Rosário Oeste, que pertence ao ex-vereador de Sorriso Gilberto Eglair Possamai, acabou levantando suspeitas de vendas de sentenças por juízes de Mato Grosso. Isso ocorreu após um dos herdeiros das terras, Alain Borges, e os inquilinos passarem a questionar a propriedade do imóvel na Justiça na tentativa de anular o leilão do imóvel.
A fazenda foi à leilão na Justiça do Trabalho em 2012 e chegou a ser arrematada pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que na época era senador, por R$ 22,7 milhões. Porém, ele desistiu do lance e sub-rogou o direito de arrematação a Gilberto Possamai, que adquiriu a fazenda por um valor menor.
O leilão chegou a ser anulado na 7ª Vara do Trabalho de Cuiabá. Depois, foi levantada a suspeita de que os antigos donos tentaram corromper juízes para anular o leilão da fazenda São José. Com um material entregue por Jorge Zanette, Possamai protocolou uma reclamação contra os juízes no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Procurado pelo Portal Sorriso, Possamai lamentou a morosidade da solução deste caso. “O caso é complexo, mas a seu tempo será totalmente acertado e esclarecido. Desde 2012, estamos tentando resolver enquanto parte da Justiça está complicando. Comprei, paguei dentro do preço justo pelos avaliadores, mas inventaram um preço fantasioso por ter rochas de calcário. Anularam o leilão, mas conseguimos reaver em todas estâncias”, explicou.
Entenda o caso
A fazenda pertencia a José Osmar Borges e foi herdada pelo filho do empresário, Alain Robson da Silva Borges, que se associou a fundos de investimento de Delaware, nos Estados Unidos, para arquitetar a construção de uma fábrica de cimento no local.
O espólio incluía mais de 20 empresas, entre elas a Cotton King, uma fábrica de tecidos em Cuiabá. Assolada pela má gestão e com dívidas que somavam R$ 58 milhões em 2010, a Cotton King entrou em recuperação judicial. Os bens de Borges foram penhorados — entre eles, a fazenda.
A Procuradoria-Geral da República chegou a pedir a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal para investigar as condições em que se deram o leilão com a participação do então senador, com base na manifestação de que Possamai poderia ser “laranja” de Blairo. Mas o inquérito foi arquivado pelo ministro Luís Roberto Barroso por falta de provas.
“Eu já fui vereador e nunca tive a oportunidade de cumprimenta-lo”, disse Possamai sobre Blairo Maggi ao Portal Sorriso. Para ele, apesar de os antigos donos da fazenda forjarem meios para tentar anular o leilão da Fazenda São José, o ex-vereador sorrisense disse manter a esperança de que o caso seja finalizado judicialmente.