Três alvos de operação foram liberados; um está foragido
Delegado Sylvio do Vale, da Delegacia Fazendária (Defaz) vai indiciar acusados na sexta-feira (7)
O delegado Sylvio do Vale Ferreira, da Delegacia Fazendária (Defaz), afirmou nesta terça-feira (4) que um dos alvos da operação “Pérfido”, deflagrada na última semana em Várzea Grande, não foi encontrado e é considerado foragido da Justiça.
No total, foram expedidos nove mandados de prisão preventiva contra fiscais de tributos da Prefeitura de Várzea Grande e empresários. Eles são acusados de fraudar débitos tributários na Secretaria Municipal de Fazenda. O prejuízo aos cofres públicos ultrapassa R$ 60 milhões.
Das oito pessoas presas, conforme o delegado, três foram liberadas em audiência de custódia realizada no Fórum da cidade e as restantes continuam detidas.
Os nomes dos envolvidos ainda não foram oficialmente divulgados. A operação tramita em segredo de Justiça.
“Realizamos buscas pelo 9º envolvido no dia da deflagração da operação, que foi na quinta-feira (29), na sexta e segunda, mas ele não foi localizado. Por isso ele é considerado foragido. Mas como a operação está sob sigilo, eu não posso divulgar o nome dele e nem dar muitos detalhes sobre operação”, disse o delegado, em entrevista.
Sylvio também informou que a polícia não conseguiu localizar uma das sete pessoas alvos de condução coercitiva. As buscas serão intensificadas nesta semana para tentar localizar os envolvidos.
Segundo o delegado, a investigação deve ser concluída na sexta-feira (7). Sylvio deve indiciar os acusados pelos crimes de corrupção, concussão e sonegação de impostos.
O inquérito será encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE) para que um promotor de Justiça decida se denuncia ou não os acusados pelos supostos crimes.
Caso ocorra a denúncia, o procedimento será levado para análise do juiz Abel Balbino Guimarães, da 4ª Vara Criminal de Várzea Grande. Se o magistrado acatar a denúncia, os acusados passam a ser réus.
O delegado também frisou que essa é só a primeira parte da operação e que a nova fase será deflagrada nos próximos meses com prisões de novos envolvidos.
“Nós conseguimos ainda apreender uma série enorme de documentos. Estamos encaminhando ao setor responsável por fazer a análise, como também em notebooks, pen drives, celulares e outros dispositivos de armazenamento. Nós acreditamos que vamos ter novas fases dessa operação, podendo identificar mais pessoas envolvidas”, disse.
O esquema
Conforme o delegado, os acusados burlavam o sistema de banco de dados de gestão tributária para reduzir, dar baixa ou cancelar indevidamente débitos tributários.
As investigações apontam que os envolvidos causaram prejuízo superior a R$ 60 milhões aos cofres públicos.
“Várzea Grande tinha sua receita, infelizmente, muito reduzida em virtude desse esquema bastante engenhoso de corrupção. Essa investigação limitou-se a apenas dois tributos. Então nós acreditamos que o prejuízo da Prefeitura de Várzea Grande é muito maior que R$ 60 milhões”, disse Sylvio do Vale.
O alegado esquema teria ocorrido durante as gestões dos ex-prefeitos Murilo Domingos e Wallace Guimarães e foi descoberto pela atual gestão da prefeita Lucimar Campos.
De acordo com o secretário de Comunicação da Prefeitura, Marcos Lemos, assim que soube do caso, Lucimar determinou uma auditoria na Secretaria. Após o resultado, ela notificou as autoridades.