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Taques nega grampos na eleição da OAB e dispara contra ex
Tatiane Sangalli disse que grupo apoiado pelo ex-chefe da Casa Civil tinha acesso às informações da chapa rival
O advogado e ex-secretário chefe da Casa Civil Paulo Taques acusou a publicitária Tatiane Sangalli de mentir em depoimento prestado ao delegado Flávio Stringueta, na Gerência de Combate ao Crime Organizado, e negou que tenha invadido a privacidade telefônica de adversários do advogado José Moreno, que disputou a eleição da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), em 2012.
Tatiane Sangalli teria afirmado ao delegado que Paulo Taques seria o responsável por um esquema de interceptações telefônicas ilegais durante a eleição para diretoria da OAB-MT.
“Durante a campanha para a eleição de presidente da OAB-MT de 2012, a depoente ouviu em conversas, que Paulo Taques participava, que havia gravações clandestinas aparentemente de telefones; que, a depoente ouvia as pessoas dizerem que já sabiam dos passos do adversário antecipadamente, pois já tinham ouvido em gravações; que, a depoente se recorda também que inclusive seus próprios passos eram antecipados por Paulo Taques, se recordando que em uma viagem que fez até Brasília para participar de um aniversário, Paulo Taques sabia de coisas que a depoente não havia lhe dito”, diz trecho do depoimento.
Paulo Taques afirmou que sequer participou da eleição da OAB naquele ano e acusou Tatiane de mentir. “Primeiramente, é mais uma pessoa que vai prestar depoimento e falar um monte de mentiras para direcionar as investigações para a minha pessoa. Segundo, eu não participei da eleição da OAB em 2012”.
Questionado por que acredita que estejam querendo desviar o foco das apurações sobre interceptações telefônicas ilegais para ele, Taques disse que o motivo pode ser atingir o governador Pedro Taques (PSDB). “Eu não sei os motivos dessas pessoas, são mentiras que visam atingir ao governador”.
O advogado afirmou que após tomar conhecimento das declarações de Tatiane Sangalli, que afirma ter sido sua amante entre 2009 e 2015, entrou em contato com o delegado Flávio Stringueta e se colocou à disposição para também prestar sua versão dos fatos, porém, a data do depoimento ainda não foi marcada, o que foi confirmado por Stringueta, ao Gazeta Digital.
Paulo Taques afirmou também que está aguardando as apurações dos fatos para entrar com “todas as medidas legais cabíveis” contra quem tem proferido mentiras a seu respeito em relação aos grampos clandestinos.
O advogado Francisco Faiad, que representa Tatiane Sangalli e a acompanhou na delegacia, foi procurado pela reportagem, mas evitou comentar sobre o assunto, se mostrando irritado com o vazamento do depoimento de sua cliente.
O advogado José Moreno se disse surpreendido e negou tanto que Paulo Taques tenha feito parte de sua coordenação eleitoral à OAB, quanto o uso de espionagem dos adversários em sua campanha.
“O Paulo nunca foi coordenador de campanha minha nem em 2012, nem em 2015, nunca exerceu nenhum tipo de coordenação, não participou de reuniões, não teve nenhuma vinculação, foi um eleitor como tantos outros. (...) Quem levou essa informação de grampos foi essa moça, ela que falou isso daí. Eu nunca ouvi falar nada de grampos na eleição da OAB. Isso foi uma grande surpresa! Eu só posso dizer que o Paulo nunca fez parte de coordenação minha. De nossa parte, jamais houve qualquer utilização de grampo”.
Com relação ao escândalo de escutas telefônicas clandestinas, Moreno afirmou que “não tem como concordar com uma coisa dessas, isso é um absurdo! Isso afronta a dignidade da pessoa, afronta à democracia. Isso tem que ser apurado. É um absurdo!”. Veja nota pública de José Moreno:
Nota de esclarecimento
Em razão da notícia veiculada, venho à público, esclarecer o seguinte:
1-Na campanha à OAB/MT em 2012, na qual fui candidato à presidente, o coordenador de campanha foi o advogado Fábio Scheneider;
2-O advogado Paulo Taques jamais participou de nenhuma das minhas coordenações de campanhas, seja nas eleições de 2012, seja nas eleições de 2015;
3-Não compactuo com procedimentos ilegais, repudiando veementemente a prática de uso de grampos telefônicos contra quem quer que seja;
4-Tal expediente fere a democracia, a dignidade, a privacidade e atenta contra toda a sociedade;
5-Espero que os fatos sejam devidamente apurados e os culpados, punidos de forma exemplar.
Ação e reação
O candidato vencedor da eleição de 2012 na OAB, Maurício Aude, se manifestou publicamente em sua rede social sobre o suposto esquema de grampos, no qual teria sido vítima da espionagem, dizendo que vai solicitar à atual gestão da entidade que o mantenha informado acerca de tudo o que for descoberto com as investigações, que foram abertas após notícia-crime apresentada pela Ordem.
Maurício Aude afirmou que não vai fazer “ilações e nem suposições maldosas”, mas adiantou que caso a suspeita de grampo na eleição da OAB seja confirmada, irá tomar medidas judiciais “enérgicas”. “...registro que a confirmação dos fatos - até aqui supostos - desencadeará a reação cabível”, declarou.
Veja a nota de Maurício Aude na íntegra:
A PROPÓSITO da notícia de que os grampos teriam supostamente bisbilhotado os participantes das eleições de 2012 da OAB/MT em que fui eleito Presidente da Seccional;
CONSIDERANDO que a se confirmar o noticiado - o que espero não ocorra - existe uma possibilidade de ter havido invasão a minha privacidade e intimidade;
E DIANTE das várias manifestações de amigos no dia de hoje
REGISTRO publicamente que solicitarei à OAB/MT que me mantenha informado acerca de tudo o quanto for desvendado pelas investigações, a fim de que - se for o caso - tome eu as devidas e enérgicas medidas judiciais contra quem de direito.
Não me dou ao direito de fazer ilações e nem suposições maldosas, diante de minha formação jurídica e humanista, pelo que as minhas providências imediatas têm o mero objetivo se resguardar direitos.
Mas registro que a confirmação dos fatos - até aqui supostos - desencadeará a reação cabível.
O "grampeamento" ilegal e sorrateiro - a mando de quem quer que seja - é conduta que fere a cidadania, a liberdade, a democracia e a privacidade, constituindo-se em um absurdo atentado às liberdades civis conquistadas às duras penas pelos brasileiros.