Taques diz que fato é "grave", mas que não demitirá secretário
“Não podemos demitir as pessoas com base em notícia de jornal”, afirmou o governador
O governador Pedro Taques (PSDB) afirmou que não irá exonerar o secretário de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) coronel Airton Siqueira Júnior, que pode estar envolvido no caso de atividades de interceptações telefônicas ilegais promovidas pela Polícia Militar.
Ele foi citado pela 3ª sargento da Polícia Militar, Andréa Pereira de Moura Cardoso, em depoimento à Corregedoria Geral da PM, na última sexta-feira (26). Ela revelou que foi o coronel quem a encaminhou ao ex-comandante geral da PM, o coronel Zaqueu Barbosa, para cumprir uma atividade de inteligência. Além disso, Siqueira foi quem a informou quando o serviço “havia terminado”.
Em conversa com a imprensa, no Palácio Paiaguás, o tucano disse que não afasta ninguém de seu staff baseado em “notícias de jornais”.
“Em absoluto”, disse ao ser questionado se pretendia exonerar o secretário. “Não podemos demitir as pessoas com base em notícia de jornal”, completou.
O tucano ressaltou que é preciso garantir o direito a presunção da inocência. E que ainda não teve acesso ao depoimento da sargento.
“Eu não vi o depoimento da sargento Andreia. Mas temos que entender que não podemos julgar as pessoas antes do devido processo legal. Eu não faço isso. Não me baseio em delações, em depoimentos que são tomados não sei em que sentido”, disse.
“O fato é grave? É gravíssimo, tem que ser investigado, como está sendo investigado. Mas não sei se eles cometeram esse fato”, disse se referindo a Siqueira e a Zaqueu, que está preso preventivamente desde o dia 23 de maio, junto com o cabo Gerson Ferreira Gouveia Júnior, por conta dos grampos ilegais.
O depoimento
O depoimento prestado pela 3ª sargento da PM, Andréa Pereira de Moura Cardoso, à Corregedoria Geral da PM, revelou que uma sala, localizada na Rua Desembargador Ferreira Mendes, nº 235, na região central de Cuiabá, servia de base para atividades de interceptações telefônicas da PM.
De acordo com o depoimento, ao qual o MidiaNews teve acesso, a policial procurou as autoridades após as notícias de que uma central de grampos clandestina seria operada com conhecimento do ex-comandante geral da PM, o coronel Zaqueu Barbosa.
No depoimento, Andréa afirmou que foi seu então comandante no Centro Integrado de Operações Aéreas, coronel PM Siqueira Júnior, quem lhe orientou a procurar Zaqueu. Na época (entre 2014 e 2015), o então comandante-geral ofereceu o trabalho na área de inteligência e apresentou Gerson como o oficial que lhe mostraria como desenvolver o serviço.
A policial relatou que o imóvel usado para operar as escutas possuía dois quartos. O cômodo usado por ela tinha duas mesas de escritório, dois computadores, fones de ouvido “e outro equipamento maior, que aparentava ser uma CPU grande”.
Ela negou ter ouvido jornalistas ou a deputada estadual Janaina Riva (PMDB).