Suposto mandante de chacina já foi multado em quase R$ 1 milhão
Ele é suspeito de mandar matar 9 trabalhadores em Colniza
O empresário do ramo madeireiro Valdelir de Souza, de 41 anos, apontado como suposto mandante da chacina na Gleba Taquaruçu do Norte, em Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, já foi multado em quase R$ 1 milhão por extração ilegal de madeira. As informações são do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Valdelir e outros quatro foram denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (mediante pagamento, tortura e emboscada). A reportagem não conseguiu localizar a defesa do empresário.
De 2007 até agora, 10 multas foram aplicadas contra o empresário. A primeira autuação foi registrada em outubro de 2007 no valor de R$ 30 mil. No ano seguinte, quatro autos foram lavrados contra as empresas. As multas nesse ano somam a quantia de R$ 293 mil.
A autuação com o maior valor foi registrada em setembro de 2012 no valor de R$ 293,4 mil. Todas as multas, segundo o Ibama, foram aplicadas por irregularidades na extração de madeira, também apontada como a motivação dos crimes.
Denúncia do MP
Na segunda-feira (15), o Ministério Público estadual denunciou à Justiça cinco acusados de participar da chacina que resultou na morte de nove trabalhadores em Colniza.
Além do empresário, o ex-sargento da Polícia Militar de Rondônia Moisés Ferreira de Souza, Ronaldo Dalmoneck, Pedro Ramos Nogueira e Paulo Neves Nogueira - sendo esses dois últimos tio e sobrinho, também foram denunciados.
Pedro Ramos e Paulo Neves estão presos preventivamente, enquanto Ronaldo está com a prisão preventiva decretada, mas ainda não foi preso.
Valdelir Souza está com a prisão temporária decretada e a defesa dele chegou a negociar a entrega às autoridades policiais, mas isso não ocorreu. Já o ex-policial é procurado por outro crime cometido em Rondônia e, por essa razão, não teve a prisão pedida pela polícia mato-grossense. O G1 não conseguiu falar com os advogados dos acusados.
Segundo o MP, o grupo de extermínio percorreu aproximadamente 9 km ao longo da Linha 15, assassinando, com requintes de crueldade, aqueles que encontraram pelo caminho, sem dar chance de fuga ou defesa.