Superintendente da PRF teme interferências políticas e deixa cargo em MT
Além de Nogueira, Fabrício Colombo - que atuava em Santa Catarina - foi exonerado
O superintendente da Polícia Rodoviária Fedral (PRF) em Mato Grosso, Kellen Arthur Nogueira, entregou o cargo ao Ministério da Justiça e Segurança Pública após quase quatro anos de serviços prestados.
O ato foi publicado em Diário Oficial da União (DOE). Além de Nogueira, Fabrício Colombo - que atuava em Santa Catarina - foi exonerado.
O policial mostrou-se extremamente insatisfeito com um decreto que permite diretamente a interferência política nos atos determinantes ao exercício da atividade. O entendimento é de que a escolha do diretor geral deve ser do ministro para que possa o dirigente máximo da PRF tenha autonomia para compor sua equipe, por conhecer a realidade institucional, respeitando parâmetros técnicos.
A medida tem gerado grande clima de insegurança na instituição, não se limitando a Mato Grosso, e é avaliada em cenário nacional como um verdadeiro retrocesso considerando o retorno das indicações por políticos, o que pode interferir nas fiscalizações e nas ações da PRF, por interesses que não são públicos.
O decreto é interpretado como uma estratégia do governo do presidente Michel Temer que busca apoio do parlamento para aprovação da reforma da Previdência. A ideia seria garantir apoio agradando a base do governo, mediante a 'distribuição' de cargos visando essa finalidade.
Nos bastidores, especula-se ainda quanto a forte atuação de representantes da Federação Nacional dos Sindicatos dos Policiais Rodoviários Federais junto à direção nacional da PRF, o que inferiria diretamente no controle de desempenho da classe.
Na prática, com um regime de escala de 24 horas por 72 horas, o policial trabalha um dia e folga outros três. Os policiais trabalham em até 15 dias alternados para poderem ficar até 15 dias de folga em seus Estados de origem.
Procurado, Nogueira preferiu não tecer comentários, limitando-se a informar que a PRF evoluiu nos últimos 5 anos e o principal motivo foram os avanços no modelo de gestão e das tecnologias o que permitiu maior controle da atividade policial.