Sorriso: lojas são fechadas e comerciantes fazem passeata em apoio à greve dos caminhoneiros
Empresários e colaboradores se posicionaram contra o preço dos combustíveis e a favor do movimento grevista.
Grande parte do comércio de Sorriso fechou as portas às 15h desta sexta-feira (25). A Câmara de Dirigentes Logistas (CDL) e a Associação Comercial e Empresarial (ACES) convidaram os empresários e colaboradores a participarem de uma manifestação em apoio a greve dos caminhoneiros.
Centenas de trabalhadores do comércio se reuniram em frente ao Posto Xodó e realizaram uma passeata, caminhando pela BR-163, até a frente do Posto Redentor, que é onde os caminhoneiros estão reunidos. Os manifestantes levaram bandeiras do Brasil e faixas em verde e amarelo.
Conforme o Portal Sorriso informou, o presidente da CDL, Paulo Silvestro, disse que o protesto é pacífico, mas afirmou que “o problema do alto preço dos combustíveis é algo que está afetando a todos e em breve, com a falta do produto nas bombas por conta das manifestações, o país vai parar”.
A manifestação dos motoristas começou na manhã de segunda-feira (21). O protesto é contra o aumento no preço do óleo diesel, que estaria tirando a rentabilidade do setor.
Carretas e caminhões estão impedidos de passar pelos trechos bloqueados. Apenas carros de passeio, ambulâncias, ônibus, cargas vivas e perecíveis estão autorizados a seguir viagem.
Hoje (25) treze pontos de protesto foram registrados no quinto dia de manifestação nas rodovias federais de Mato Grosso. Os protestos ocorrem na BR-070, BR-364, BR-163, MT-358 e MT-480.
De acordo com a concessionária que administra as rodovias, Rota do Oeste, são 11 pontos ao longo dos 850,9 quilômetros sob a responsabilidade da concessionária.
Veja os locais onde há protestos:
- BR-070, km 504, em Cuiabá
- BR-364, km 398, em Cuiabá
- BR-163, km 95 em Rondonópolis
- BR-163, km 119 em Rondonópolis
- BR-163, km 593 em Nova Mutum
- BR-163, km 601 em Nova Mutum
- BR-163, km 686 em Lucas do Rio Verde
- BR-163, km 691 em Lucas do Rio Verde
- BR-163, km 764 em Sorriso
- BR-163, km 750 em Sorriso
- BR-163, km 821 em Sinop
- MT-358, em Tangará da Serra
- MT-480, em Tangará da Serra
Temer autoriza uso de forças federais
O governo federal autorizou o uso de forças federais de segurança para liberar as rodovias bloqueadas pelos caminhoneiros caso as estradas não sejam liberadas pelo movimento. O anúncio foi feito há pouco pelo presidente Michel Temer, em pronunciamento no Palácio do Planalto. A decisão foi tomada após reunião no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que contou com a participação de ministros e do presidente.
"Quero anunciar um plano de segurança imeadiato para acionar as forças federais de segurança para desbloquear as estradas e estou solicitando aos governadores que façam o mesmo. Não vamos permitir que a população fique sem os gêneros de primeira necessidade, que os hospitais fiquem sem insumos para salvar vidas e crianças fiquem sem escolas. Quem bloqueia estradas de maneira radical será responsabilizado. O governo tem, como tem sempre, a coragem de dialogar; agora terá coragem de usar sua autoridade em defesa do povo brasileiro."
Ontem (24), os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Eduardo Guardia (Fazenda) e Carlos Marun (Secretaria de Governo) anunciaram acordo para suspensão dos protestos da categoria por 15 dias. Depois disso, as partes voltarão a se reunir.
Hoje (25), no entanto, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que ainda não registra desmobilização de pontos de manifestação de caminhoneiros nas rodovias do país.
Em seu pronunciamento, Temer disse que uma "minoria radical" está impedindo que muitos caminhoneiros cumpram o acordo e voltem a transportar mercadorias. O presidente enfatizou que o governo atendeu às principais demandas da categoria. "O acordo está assinado e cumpri-lo é naturalmente a melhor alternativa. O governo espera e confia que cada caminhoneiro cumpra seu papel."
O ministro Eliseu Padilha disse, também nesta sexta-feira, que o governo confia no cumprimento do acordo firmado ontem com as lideranças do movimento.
A decisão de suspender a paralisação não foi unânime. Das 11 entidades do setor de transporte, em sua maioria caminhoneiros, que participaram do encontro, duas delas, a União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam) e a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que representa 700 mil trabalhadores, recusaram a proposta.
Hoje a associação divulgou nota na qual afirma que, ao contrário de outras entidades, "que se dizem representantes da categoria, a Abcam, não trairá os caminhoneiros". "Continuaremos firmes com pedido inicial: isenção da alíquota PIS/Cofins sobre o diesel, publicada no Diário Oficial da União", diz o texto.