Sindicância aponta que ex-secretário omitiu dados e pode ter delação anulada
Pedro Nadaf teria omitido fato de ter envolvido funcionários da instituição em esquema
O relatório de uma sindicância administrativa para apurar as movimentações financeiras da Federação do Comércio de Mato Grosso (Fecomércio) indicam que o ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, teria omitido informações em sua delação premiada junto a Procuradoria Geral da República (PGR). Caso isso seja confirmado, o acordo de delação do ex-secretário, já homologado pelo ministro Luiz Fux, pode ser revisto. As informações foram divulgadas no Jornal A Gazeta.
A sindicância aponta várias movimentações financeiras, que podem ter sido omitidas por Nadaf na delação firmada com a PGR. Ela foi encaminhada a Policia Federal, que fará as apurações necessárias.
Vários cheques, comprovantes de depósitos e depoimentos de funcionários da Fecomércio foram entregues à Polícia Federal.
O documento informa que vários funcionários foram envolvidos no esquema de propina e lavagem de dinheiro, de forma direta e indireta. O dinheiro, na maioria das vezes, era oriundo de propina recebida por beneficiados do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic).
Os cheques encontrados eram de João Batista Rosa, que é um dos delatores na Operação Sodoma, e eram passados para funcionários que realizavam a compensação na boca do caixa, ou eram depositados nas contas bancárias dos funcionários envolvidos.
O dono do Grupo Tractor Parts confessou que pagou R$ 1,8 milhão em propina para ter os incentivos fiscais mantidos pelo Governo do Estado. Os valores eram entregues, através de cheques, para Pedro Nadaf, que fazia a distribuição do dinheiro.
A sindicância aponta que a Fecomércio continuou sendo usado para esquema de propina, mesmo após o término do governo de Silval Barbosa. “Necessário reconhecer que, ao deixar a administração pública, a organização criminosa transferiu seu balcão de negócios da sede do governo estadual para a sede da Fecomércio”, diz o documento.
Pedro Nadaf já foi condenado e responde a 5 ações penais, por envolvimento em esquemas de corrupção, investigados pelas Operações Sodoma e Seven. Ele chegou a ser preso em setembro de 2015 e foi solto um ano depois, após aceitar colaborar com as investigações.