Silval mandou pagar propina de R$ 1 milhão para ex-assessor não 'importunar'
O ex-assessor do Governo, Rowles Magalhães, teria ficado frustrado após empresa, na qual fez lobby, não vencer o processo licitatório do VLT e iniciou uma série de cobranças ao ex-governador Silval Barbosa.
O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) confessou em depoimento à Polícia Federal - no último dia 5 de julho - que autorizou seu grupo criminoso a pagar R$ 1 milhão ao ex-assessor especial da vice-governadoria do Estado, Rowles Magalhães, como uma espécie de ‘cala-boca’ para que ele não “importunasse” o peemedebista durante as negociações e procedimentos relativos às obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em 2012.
A denúncia foi mencionada no pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça Federal em Mato Grosso, que resultou na Operação Descarrilho, deflagrada no início da manhã desta quarta-feira (9).
“Após diversas cobranças, Silval Barbosa determinou a Maurício Guimarães [então secretário Extraordinário da Copa de 2014] o pagamento de R$ 1 milhão para ‘Rowles parar de importunar’. De acordo com o ex-governador, Maurício Guimarães cumpriu sua determinação e efetuou o pagamento por intermédio do empresário Ricardo Novis Neves”, diz trecho do documento judicial.
O ex-governador revelou ainda que só autorizou o repasse ilícito ao ex-assessor após o “consórcio composto pela empresa portuguesa Construtora Soares da Costa não ter vencido a licitação causando frustração a Rowles”, que já negociava com a empresa o pagamento de vantagem indevida por meio da construção do modal.
“O declarante [Silval] tomou conhecimento, por intermédio de Maurício Guimarães, que Rowles disse que havia combinado o valor de R$ 5 milhões de 'retornos' das obras do VLT com Éder Moraes, mas como Éder foi exonerado da Secopa, quem a assumiu foi Maurício, pessoa que passou a ser cobrada por Rowles Magalhães desse combinado de propinas”, aponta a decisão.
O valor cobrado, segundo o peemedebista, era referente à "doação" do pré-projeto, avaliado em R$ 14 milhões, que sugeria que Rowles e a empresa Ferconsult já planejavam ganhar dinheiro com a mudança do BRT para o VLT. Como o novo modal, à época, precisava ficar pronto até a Copa do Mundo, a Parceria Público-Privada (PPP) não aconteceu.
“Embora a Ferconsult tivesse interesse em participar da licitação, ela não pôde participar do certame deflagrado em 2012, modalidade RDC, uma vez que havia executado o pré-projeto; Que após o certame, e em razão disso, a Ferconsult passou a exigir do então Secretário da Secopa, Maurício Guimarães, indenização pelo pré-projeto que foi utilizado pelo Estado; Que não sabe informar quem era o representante da empresa que tratava sobre o assunto, pois quem fazia a intermediação nessas tratativas era Maurício”, destaca o documento.