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Silêncio impera em bairro de Cuiabá após onda de homicídios e suposto ‘toque de terror’
A Secretaria de Segurança Pública continua a negar a existência de um ‘grupo de extermínio’
Olhares desconfiados, silêncio absoluto e medo. Este é o atual cenário pelo qual os moradores do bairro Pedregal, em Cuiabá, estão passando esta semana, após três homicídios serem cometidos no local e um suposto ‘toque de terror’ ter sido instalado. Os que lá estão pouco falam.
A polícia e a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) continuam a negar a existência de um ‘grupo de extermínio’ e se limitam a dizer que tudo está sendo investigado. Enquanto isto, o clima de insegurança impera entre os moradores.
A reportagem do Olhar Direto esteve no bairro Pedregal durante a manhã desta quinta-feira (26). Ao entrar no bairro, o carro da reportagem já foi acompanhado por olhares desconfiados das pessoas, mesmo durante a luz do dia. Várias casas e comércios estão trancados com cadeado. O que não muda é o silêncio em cada metro quadrado da região.
Na base comunitária de Segurança Pública do Pedregal, os policiais pouco disseram a respeito do que aconteceu, apenas o que já havia sido divulgado pela imprensa. Ao Olhar Direto, o tenente Norimatsu, responsável pelo local, explicou que: “Não sabemos do que se trata. A inteligência está investigando, tentando descobrir os responsáveis. A área estava saturada ontem (25), depois do primeiro fato tivemos uma quantidade de viaturas muito maior”.
No Centro Comunitário do bairro, o silêncio também é o principal ‘personagem’. Um dos funcionários do local não quis prestar nenhum tipo de informação e apenas limitou-se a dizer que: “A pessoa responsável para falar com vocês não está, ela só vem aqui na parte da tarde. Sou apenas um funcionário, não posso te falar nada. Essa questão é só com ela, não posso falar nada”. Ao ser questionado sobre o telefone desta responsável, ele voltou a mostrar nervosismo com a situação: “Voltem a tarde, não posso passar nada”, disse ele enquanto mudava a caneta que segurava de mão.
Segundo o pouco que a reportagem conseguiu apurar dos moradores, o clima é bastante tenso. As pessoas estão assustadas com os homicídios que aconteceram e com as possibilidades levantadas: a primeira, de ser um grupo de extermínio, que estaria fazendo uma limpeza no Pedregal. A segunda, de haver uma possível briga de gangues. O fato é que em nenhuma das duas a população sai vencendo e o medo impera.
Na última quarta-feira (25), o secretário-adjunto de Segurança Pública, Fábio Galindo, afirmou que o suposto ‘toque de terror’ que teria sido disparado no bairro Pedregal, em Cuiabá, não passa de “fofoca de mau gosto”. Ele ainda pontuou que não há preocupação excessiva por parte da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e voltou a negar a existência de ‘grupos de extermínio’ na grande Cuiabá.
Horas depois, mais um assassinato foi registrado no bairro Pedregal. Para a população, o crime pode ser mais uma ação de um grupo de extermínio. Em 72 horas, o bairro foi palco de três execuções e duas tentativas. Jeferson Melo de Jesus, de 31 anos, apelidado de ‘Gordo’, foi executado com dez tiros quando estava em frente a uma distribuidora de bebidas, na rua Manaíra. Esta é a mesma via onde Enatel dos Santos Albernaz, 37 anos, o "Maninho" e Erídio Pereira de Souza, 38 anos, foram executados.