Servidores do sistema penitenciário iniciam greve em todas as unidades de MT
Sejudh diz que não reconhece a legalidade da paralisação
Servidores do sistema penitenciário de Mato Grosso iniciam neste sábado (21), em todas as unidades penitenciários do Estado, a Operação Padrão, que visa prestar apenas os serviços básicos como segurança, alimentação e assistência médica.
Outros trabalhos, como escolta e visitas estarão suspensos até a próxima quinta-feira (26), quando acontecerá uma reunião com representantes do governo, na Casa Civil. Caso não haja acordo, Sindicado dos Servidores Penitenciários do Estado de Mato Grosso (Sindspen) informou que serviços continuarão suspensos por tempo indeterminado.
Aconteceu na tarde de ontem (20) a segunda assembleia dos servidores do sistema penitenciário da semana. Na primeira, no dia 17, os trabalhadores tentaram marcar uma reunião com representantes do governo para debater sobre a recomposição salarial, porém sem sucesso.
Ontem (20), mais uma vez, os servidores se reuniram em frente ao Centro de Ressocialização de Cuiabá, quando votaram pelo início da Operação Padrão.
“A decisão foi unânime. Todos os servidores do sistema penitenciário, não só os agentes, estão insatisfeitos com o sentimento de desdém que o Estado tem tido diante da situação apresentada pela nossa categoria. Estamos prontos para lutar por nossos direitos e faremos o necessário para conseguirmos a recomposição salarial”, disse o presidente do Sindspen, João Batista.
A intenção, segundo o sindicalista, era conseguir conversar com o Estado até o final desta semana, mas como o governo não mostrou interesse em negociar, os servidores optaram por iniciar a operação.
“Todos os servidores continuarão trabalhando de forma integral, porém, realizando apenas o básico, que se resume à segurança das penitenciárias, alimentação dos presos e assistência médica”.
Segundo Batista, neste período não terá como atender o público, os advogados e oficiais de justiça. “Estamos lutando por mais dignidade e respeito por parte da atual gestão do Estado. O secretário da Casa Civil, Max Russi, mas está parecendo uma briga de cão e gato".
Famílias protestam
No início da manhã, parentes de detentos recolhidos na Penitenciária Major Eldo de Sá, a Mata Grande, em Rondonópolis (212 km ao sul) bloquearam trecho da MT-130, em protesto. As famílias dos presos alegam que não foram comunicadas sobre a suspensão das visitas. Bloqueio durou por algumas horas, mas as famílias acabaram liberando o tráfego.
Outro lado
A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos emitiu nota e diz que não reconhece a legalidade da paralisação deflagrada a partir deste sábado, 21 de outubro, pelo Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário de Mato Grosso. A Secretaria reitera que sempre esteve aberta ao diálogo e, diferente do que alega o sindicato, atua para buscar melhorias à categoria pautada pelo bom senso diante do crítico cenário econômico vivenciado no país e, consequentemente, em Mato Grosso. Diversas agendas foram realizadas pela Secretaria com o sindicato, inclusive com uma reunião programada para a próxima semana com participação da Casa Civil e Secretaria de Gestão do Governo do Estado.
A Secretaria de Justiça enfatiza ainda que não foi notificada da decisão aprovada pelo Sindicato em assembleia nesta sexta-feira. Conforme prevê a lei 7783/1989 qualquer movimento grevista cujos serviços sejam essenciais deve ser comunicado com antecedência mínima de 72 horas ao empregador.
A Secretaria tomará as medidas cabíveis em caso de situações de desordem ou tentativa de fuga que possam ser provocadas em consequência do movimento deflagrado.