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Sem salário, médico da Santa Casa faz desabafo em rede social
Profissionais não recebem há três meses; diretor do hospital fala em "situação insustentável"
O médico Pedro Victor Catala Coutinho, anestesista da Santa Casa de Cuiabá há cinco anos, fez um desabafo em sua página pessoal no Facebook a respeito dos constantes atrasos salariais na unidade de saúde.
Sem receber os repasses da Perefeitura, a Santa Casa trabalha hoje com um déficit mensal que gira entorno de R$ 700 mil.
Na postagem, o médico revela sua frustração com a falta de pagamento dos salários da equipe médica. Segundo Coutinho, a dívida com os profissionais já ultrapassa mais de R$ 6 milhões.
Por meio da rede social, o profissional descreveu em seu texto o momento em que começou a faculdade de Medicina e como tinha a profissão como um sonho.
““Eu tive um sonho” tomando a liberdade de parafrasear a celebre frase do líder negro norte-americano [Martin Luther King] em seu discurso histórico. Sonhei em dedicar minha vida profissional como médico ao Sistema Único de Saúde, o SUS. Filho de pai médico, que dedicou toda a vida ao SUS fazendo carreira no serviço público, mesmo sentindo na pele o sofrimento e a distância que essa dedicação causou, escolhi sonhar seguir seus ideais de lutar por sistema de saúde pública digno”, contou.
O médico continua o relato contando que, após a conclusão da especialização em sua área, recebeu um convite para trabalhar na Santa Casa.
“Instituição bicentenária na capital mato-grossense, quase sinônimo desse sonho, aceitei prontamente. Lá se vão cinco anos de dedicação quase exclusiva a essa instituição, vê-la na atual situação é desolador. Uma mistura cruel de sub-financiamento com incompetência administrativa a levaram a beira do caos”.
“A pior morte não é a morte do sonho em si, a pior morte é a morte do sonhador em que o sonho habita! Nesse instante a Santa Casa de Misericórdia é um abatedouro de sonhadores. Será possível continuar sonhando?”, lamentou.
Sem receber há 3 meses
Como não faz parte do quadro de funcionários efetivos da instituição, a maioria dos médicos não tem vínculo empregatício, então não recebe um salário propriamente dito.
A maioria recebe honorários provenientes da tabela SUS (Sistema Único de Saúde), cujo repasse é feito por meio da Prefeitura. Um dos repasses é referente ao Índice de Valorização de Qualidade, que desde outubro de 2017 não é pago. As produções e sobreavisos também estão em atraso desde janeiro deste ano, bem como os plantões, que em abril pararam de ser repassados.
Segundo o médico, a dívida com os todos os funcionários referente a dois meses já ultrapassa a casa dos R$ 3 milhões. Saiba mais.