Rogers nega ameaça e diz que delegado “propôs confronto físico”
Ex-secretário afirma que Stringueta relatou fatos de forma “totalmente diversa” à realidade
O delegado e ex-secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, negou ter feito ameaças ao também delegado Flávio Henrique Stringueta, quando o encontrou na quarta-feira (28) no estacionamento de um supermercado, em Cuiabá.
A situação foi descrita por Stringueta em um boletim de ocorrência registrado na última semana. O delegado citou, entre outros pontos, que tentou evitar a conversa com Rogers, mas que o ex-secretário insistiu e o xingou de “safado” e o ameaçado.
Em nota, a defesa de Jarbas disse que os fatos ocorreram de forma “totalmente diversa” ao que foi relatado no boletim de ocorrência.
“Em momento algum (Rogers) proferiu qualquer ameaça ao Delegado Stringueta e que, diversamente do noticiado, Stringueta foi quem propôs o ‘confronto físico’, o que pode ser verificado pela gravação do sistema de vídeo do local”, diz trecho do documento assinado pelos advogados Saulo Gahyva e Rafaela Conte.
Também na nota, o ex-secretário afirma que as imagens do circuito interno de segurança do supermercado demonstram a “expressão corporal agressiva do Senhor Flávio Stringueta”.
Jarbas também rebateu o relato de Stringueta dando conta de que, no momento da confusão, o ex-secretário teria dito que sua prisão foi uma armação do desembargador Orlando Perri.
“Em nenhum momento foi citado o nome do Desembargador Orlando Perri durante a discussão. Na data dos fatos, quase que antevendo o possível desvirtuamento, Rogers Jarbas registrou a ocorrência, reafirmando seu compromisso com a verdade dos fatos”, afirma trecho da nota.
Alvo de operação
Rogers Jarbas é um dos alvos da Operação Esdras, que investiga uma suposta trama destinada a afastar o desembargador Orlando Perri das investigações sobre os grampos ilegais.
Ele foi preso no dia 27 de setembro de 2017 sob suspeita de estar usando seu cargo e sua influência para interferir nas investigações sobre o escândalo.
O ex-secretário foi solto em novembro, mediante medidas cautelares, entre elas a proibição de entrar em qualquer órgão ligado à polícia.