GAFFFF Sorriso começa dia 23 e reunirá governadores de todo o Brasil
Riva tentou lucrar R$ 4 milhões com vaga no TCE, revela Nadaf
Nadaf disse que Riva não podia indicar a esposa para o TCE e ofereceu vaga a Silval
O ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), José Geraldo Riva, teria tentado lucrar R$ 4 milhões com uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) que ele havia comprado do ex-conselheiro Humberto Bosaipo. É o que afirma o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, em sua delação premiada firmada junto ao Ministério Público Federal (MPF).
No termo de declaração nº 8, prestado à procuradora da República, Vanessa Zago, Nadaf revela que nos últimos dias do ano de 2014, ele foi chamado ao gabinete do então governador Silval Barbosa (PMDB), onde também se encontrava o então deputado José Riva.
Ao entrar na sala, Silval teria chamado seu secretário no canto e confidenciado que Riva havia negociado financeiramente com Humberto Bosaipo a saída deste da Corte de Contas pelo valor de R$ 6 milhões. O objetivo de Riva com isso era indicar sua esposa Janete Riva ao cargo, o que gerou bastante repercussão negativa à época.
Como Janete foi impedida de ser indicada, o ex-deputado José Riva ofereceu a vaga que havia comprado de Humberto Bosaipo para Silval Barbosa ao preço de R$ 10 milhões.
Conforme Pedro Nadaf, o ex-governador lhe contou que Riva havia sugerido que ele, Silval, fosses indicado à Assembleia Legislativa, para que os deputados o aprovassem e, em seguida, ele fosse nomeado ao TCE, já que estava finalizando seu mandato no governo do Estado.
Após conversar com Pedro Nadaf, Silval teria aceitado a proposta de Riva, autorizando-o a indicar seu nome aos deputados estaduais, já que ainda era presidente da ALMT, e concordou em pagar os R$ 10 milhões posteriormente.
Segundo Nadaf, o negócio somente não deu certo porque, conforme foi amplamente divulgado pela imprensa à época, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a indicação de qualquer pessoa para o preenchimento da vaga (medida que perdura até hoje), acabando com as chances da compra da vaga ser concretizada. De acordo com o delator Pedro Nadaf, essa decisão do STF foi divulgada minutos depois da reunião que participou junto com Silval e Riva.
Diante das declarações do ex-chefe da Casa Civil, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot solicitou ao ministro do STF Luís Fux que desmembrasse o depoimento e o remetesse ao juízo da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, uma vez que os fatos se referem a pessoas sem prerrogativa de foro.
Além disso, Janot também pediu o compartilhamento do anexo com o Ministério Público Estadual (MPE), em razão da narrativa de supostos atos de improbidade administrativa. Ambos os requerimentos foram acatados pelo ministro, conforme já noticiado pelo Gazeta Digital.
Outro lado
Por meio de assessoria de imprensa, a defesa do ex-deputado José Riva, patrocinada pelo advogado Rodrigo Mudrovitsch, afirmou que seu cliente já prestou os esclarecimentos devidos às autoridades competentes.