Riva diz que governo Blairo pagou R$ 37,5 milhões para ter apoio
Ex-deputado é reinterrogado na ação penal derivada da Operação Imperador
O ex-deputado estadual José Riva revelou que os governos do falecido Dante de Oliveira e do atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), pagavam propinas milionárias para deputados, no intuito de ter o apoio deles na Assembleia Legislativa.
A declaração foi dada no reinterrogatório da ação penal derivada da Operação Imperador, que ocorre na tarde desta sexta-feira (31). A audiência é conduzida pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.
A ação apura suposto esquema que teria desviado R$ 61 milhões da Assembleia Legislativa, de 2005 a 2009. O esquema operava por meio de compras de fachada com empresas fornecedoras de materiais do Legislativo.
Apenas de 2005 a 2008, segundo Riva, o governo de Blairo teria repassado um total de R$ 37,5 milhões a boa parte dos deputados à época - cujos nomes não foram citados.
"Nesse período [2003 a 2004] foram movimentados R$ 1,1 milhão. Em 2005 aumentou para R$ 3,4 milhões. Em 2006 foram R$ 6 milhões. Em 2007, quando era presidente o Sérgio Ricardo [atual conselheiro afastado do TCE], R$ 12 milhões. Em 2008, R$ 15 milhões", disse Riva, que foi ex-presidente da Assembleia por vários mandatos.
Confira a audiência:
Início do mensalinho
Riva contou que no final do governo Dante, Blairo Maggi tinha um discurso duro com relação a Assembleia, tanto que foi eleito com minoria. Em razão disso, conforme ele, alguns parlamentares temiam parar de receber o 'mensalinho' que Dante supostamente pagava.
"Deputados me procuraram pra saber se continuariam recebendo propina igual ao governo anterior, que era restrito à bancada. Aí começou o governo Blairo e ele falou que não ia continuar com isso. Ele estava disposto a passar um valor para a Assembleia, mas que fosse para passar a todos os deputados, para ajudar o governo na Assembleia".
"Nesse período [2003 a 2004] foram movimentados R$ 1,1 milhão. Em 2005 aumentou para R$ 3,4 milhões. Em 2006 foram R$ 6 milhões. Em 2007, quando era presidente o Sérgio Ricardo [atual conselheiro afastado do TCE], R$ 12 milhões. Em 2008, R$ 15 milhões".
Riva disse que era o responsável por distribuir os valores aos deputados, juntamente com o ex-vice-governador Silval Barbosa (PMDB). Segundo Riva, o mesmo esquema continou quando Silval foi eleito governador. Além deles, também fazia a distribuição o ex-secretário de Finanças da Assembleia, Edemar Adams (já falecido).
"Ou falo tudo ou nada"
A juíza perguntou sobre a periodicidade dos supostos pagamentos feitos por Blairo aos deputados. "Tanto ele quanto o Silval repassaram. Quando algum deputado era mais duro com o governo, ele [Blairo] pedia pra conversar com ele. Eram pagamentos mensais".
Selma Arruda questionou se Riva também se beneficiou com os repasses.
"Sim. Eu recebia, gastava com o gabinete, mas também em benefício próprio. Eu conversei com meus advogados: ou eu falo tudo ou eu não falo nada, não vou chegar aqui e falar pelas metade. Gastei com uso pessoal. Esse pagamento já acontecia no governo Dante, veio para o governo Blairo e foi até o fim do governo Silval".
Mais deputados e empresas envolvidas
Quanto ao esquema objeto da ação, Riva afirmou que outros deputados também assinavam que estavam recebendo materiais que nunca foram entregues.
'Mas não era 100%. Teve deputado que assinou e recebeu o material. A forma de manter o sigilo era dessa forma: receber os materiais pela secretaria geral. Todos sabiam, ninguém assinava nada enganado".
Riva disse que esquema semelhante envolveu vários deputados e mais de 40 empresas. A lista , segundo ele, foi entregue ao Ministério Público Federal *(MPF).
"Quero deixar bem claro que é uma situação que me arrependo de verdade. Não queria ter feito, tomei a decisão errada, infelizmente. Quero prestar contas com a sociedade, não roubei R$ 500 milhões, mas participei desse esquema".