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Médica se defende e diz ser alvo de julgamentos precipitados em caso de homicídio em Sorriso
A médica divulgou uma nota de esclarecimento em suas redes sociais.
A médica ginecologista e obstetra Dra. Sabrina Iara de Mello, que está sendo investigada por possível fraude processual no caso do homicídio de Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, se manifestou publicamente por meio de uma nota de esclarecimento. No documento, a profissional afirma estar sendo alvo de julgamentos precipitados e calúnias nas redes sociais, especialmente por parte de pessoas que, segundo ela, não conhecem os fatos e estão fazendo “alvoroço em devassar” sua vida privada.
O caso ganhou repercussão em Sorriso e em toda a região após a Polícia Civil desmentir a versão inicial de uma briga de bar, que teria levado à morte de Ivan. Segundo o delegado Bruno França, o crime foi premeditado, motivado por questões passionais, e envolveu uma emboscada planejada. Ivan foi esfaqueado em uma distribuidora de bebidas, ficou 22 dias internado e morreu em decorrência das complicações.
Durante as investigações, a polícia identificou que Ivan mantinha um relacionamento extraconjugal com a médica, que é esposa do proprietário da distribuidora. Câmeras de segurança mostraram que o ataque foi feito pelas costas, sem qualquer discussão prévia, contrariando a tese de briga espontânea. O autor das facadas permaneceu no local após o crime, conversando por dois minutos com o dono do estabelecimento, que só socorreu a vítima 11 minutos depois.
A polícia ainda revelou que, após o atendimento no hospital, a médica teria entrado no centro cirúrgico e apagado dados do celular da vítima, incluindo vídeos e mensagens importantes para o inquérito. Em depoimento informal, ela confirmou a exclusão das informações, mas negou envolvimento direto no assassinato.
Em sua nota, a Dra. Sabrina afirma que não está presa e que está colaborando com as investigações. Ela ressalta que o processo ainda está em fase de apuração e que não há qualquer nexo entre o homicídio e sua vida privada. “Apontar o dedo para um lado dos fatos não é neutralidade. É cumplicidade”, escreveu.
Ela também destaca que, como médica, prestou apoio profissional à vítima durante o atendimento e pede que a população aguarde o resultado oficial das investigações antes de emitir julgamentos. “A maioria das pessoas está escolhendo lados. E escolheram o lado errado. Falam mais de mim do que condenam o assassino”, diz a nota.
Até o momento, a Polícia Civil já prendeu o autor das facadas e o proprietário da distribuidora, que seria o marido da médica. Ambos são investigados por envolvimento direto no homicídio. A médica responde em liberdade, com medidas cautelares, por suspeita de tentativa de atrapalhar as investigações. O caso segue sendo conduzido pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Sorriso, com apoio do Ministério Público.
As autoridades ainda apuram a ligação entre o executor, que já tem passagens por roubo, e o proprietário da distribuidora, visto que ambos foram vistos juntos em outra ocasião, dias após a morte de Ivan, em circunstâncias consideradas suspeitas.
“O que sabemos é que a vítima foi traída, emboscada e morta. E que o responsável pelas facadas estava ao lado do dono do local no momento do crime. Isso já desmonta completamente a tese de desconhecimento ou de briga casual. Foi uma execução planejada”, concluiu o delegado Bruno França