Réus divergem sobre destino da propina de desapropriação
Três vídeos disponibilizados pela Justiça apontam que existem contradições
Três vídeos disponibilizados pela Justiça apontam que existem contradições no que se refere à destinação do dinheiro desviado na desapropriação de uma área rural na região do Manso , que é alvo de investigação na Operação Seven, deflagrada em fevereiro de 2016 pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).
De acordo com Pedro Nadaf (assista AQUI), ex-secretário da Casa Civil na gestão Silval Barbosa (PMDB), o desvio rendeu R$ 3,5 milhões “livre” para a organização criminosa da qual ele participou e, posteriormente, passou a delatar. Desse montante, segundo ele, R$ 1,5 milhão foi utilizado para quitar uma dívida do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). “O governador simplesmente queria que fosse saldado aquele compromisso que ele tinha com aquelas pessoas do pagamento da dívida. O valor da dívida faltava R$ 1,5 milhão para complementar a dívida originária”, disse à juíza Selma Arruda, na ocasião.
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Ele afirmou ainda que também pagou uma dívida de R$ 150 mil do ex-governador com o Buffet Leila Malouf, que ele e o ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Afonso Dalberto receberam R$ 500 mil, cada um e que o restante ficou com o ex-procurador geral do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima e que desconhece o que ele fez com o dinheiro.
“Eu recebi do doutor Francisco R$ 2,150 milhões, R$ 1,5 milhão eu destinei a esse compromisso político, fiquei com R$ 500 mil e R$ 150 mil destinei ao pagamento do Buffet Leila Malouf. [O restante, R$1.350 milhão] o doutor Francisco fez o pagamento que eu não sei para onde foram esses recursos”, afirmou Nadaf. O ex-secretário, no entanto, não falou o que teria feito com os R$ 500 mil não relatados por ele na divisão do que recebeu de Chico Lima.
Já o ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto (assista AQUI), disse em audiência de instrução que recebeu de Pedro Nadaf R$ 500 mil por ter autorizado a desapropriação da área que seria incluída ao Parque Estadual Cabeceiras do Rio Cuiabá, em 2014. O pagamento, segundo ele, ocorreu em duas parcelas de R$ 250 mil pagas por Nadaf em seu gabinete na Casa Civil. “O Pedro Nadaf botou a mão no bolso e entregou”, afirmou.
Apesar de dizer que o esquema rendeu R$ 3,5 milhões em propina, o depoimento de Pedro Nadaf também se choca com o do médico e fazendeiro Filinto Corrêa da Costa, que era o dono da área que foi desapropriada na gestão passada.
Segundo ele, foram pagos a Chico Lima, seu cunhado e interlocutor no processo de desapropriação, o valor de R$ 2,5 milhões divididos em vários cheques de valores pequenos, o que ocorreu a pedido do próprio Chico Lima, segundo o delator. “Eu devolvi R$ 1,250 no primeiro pagamento e R$ 1,250 no segundo pagamento”, afirmou Filinto (assista AQUI).
Em outra audiência no mesmo processo, Chico Lima admitiu ter ajudado o cunhado na desapropriação por “gratidão”, mas negou ter recebido propina e mesmo de ter feito parte de uma organização criminosa no Estado.