Quase 70% dos cigarros vendidos em MT são falsos e contrabandeados
O problema também atinge diretamente a economia
Uma pesquisa do Instituto Datafolha revelou um cenário alarmante para os tabagistas em Mato Grosso: 69% do mercado de cigarros do Estado é dominado por marcas ilegais, produtos sem registro e contrabandeados do Paraguai.
A crise, que afeta não apenas a qualidade do consumidor de tabaco no Brasil, também atinge diretamente a economia, que já deixou de arrecadar quase R$ 280 milhões em impostos.
Encomendada pelo Movimento em Defesa do Mercado Legal Brasileiro, coalizão que reúne mais de 70 entidades representativas de setores afetados pela ilegalidade no Brasil, a pesquisa revela um panorama crítico em relação à atuação dos governos brasileiro e paraguaio no combate ao contrabando entre os dois países. O Datafolha ouviu cerca de dois mil pessoas em 130 municípios de pequeno, médio e grande porte de todas as regiões do Brasil.
Os números evidenciam que parte do mercado de cigarros em Mato Grosso não é regulado, não gera empregos, não paga impostos e ainda é responsável pelo financiamento do crime organizado e do tráfico de drogas e armas. Além disso, vale destacar que apenas em 2016, a evasão fiscal relacionada ao contrabando de cigarros no Mato Grosso somou R$ 276,9 milhões.
Segundo a pesquisa, para 77% dos moradores do Centro-Oeste, as autoridades brasileiras não atuam de forma efetiva na fiscalização das fronteiras e quase 80% acreditam que o governo paraguaio também é incompetente nessa vigilância.
Entre os entrevistados da região que acreditam que os paraguaios não adotam medidas para conter o problema, 75% avaliam que isso acontece porque políticos e autoridades lucram com esse tipo de negócio.
A pesquisa também apontou que 84% dos moradores do Centro-Oeste veem ligação entre contrabando de cigarros, o crime organizado e o aumento da violência no Brasil. Os esforços do governo brasileiro para coibir a entrada de cigarros paraguaios no Brasil são reprovados, e o apoio a sanções contra o Paraguai recebe apoio de 59% dos entrevistados na região.