Retirada de bens durante intervenção no Grupo Safras acende alerta sobre gestão e preservação do patrimônio
Ação com apoio policial em Nova Guarita ocorreu durante o stay period, período em que execuções estão suspensas. Credores e trabalhadores cobram transparência e proteção dos ativos.
O processo de intervenção judicial no Grupo Safras voltou a gerar preocupação entre credores e trabalhadores. Nesta quinta-feira (30), um oficial de Justiça, acompanhado por força policial, realizou a retirada de um equipamento pertencente ao conglomerado em um armazém localizado no município de Nova Guarita (MT).
A ação, amparada por um mandado de busca, apreensão e penhora, foi executada em plena vigência do stay period — período de 180 dias, prorrogável por igual prazo, que suspende execuções judiciais e extrajudiciais contra o grupo e visa garantir a preservação de seu patrimônio. A medida, portanto, contraria diretamente as determinações judiciais que deveriam impedir esse tipo de ato até a conclusão do plano de reestruturação.
Segundo informações apuradas, o representante do interventor judicial acompanhou a retirada e teria autorizado o procedimento, o que intensificou as críticas sobre a condução da intervenção. Credores afirmam que a postura do interventor vem comprometendo a integridade e o valor dos ativos, aumentando o risco de desvalorização do grupo e prejudicando o conjunto de trabalhadores e fornecedores vinculados às empresas.
A função do interventor, nomeado pela Justiça, é justamente zelar pela continuidade das operações e pela preservação do patrimônio empresarial, principal garantia de pagamento em um processo de reestruturação. No entanto, a série de ocorrências recentes tem alimentado dúvidas sobre a transparência e a efetividade da gestão.
O Grupo Safras ingressou com pedido de recuperação judicial em abril deste ano, declarando um passivo superior a R$ 2,2 bilhões. O processo chegou a ser deferido, mas acabou suspenso pela Justiça após surgirem indícios de irregularidades na gestão anterior. Em decorrência disso, os ex-administradores Pedro Moraes e Dilceu Rossato foram afastados por suspeitas de fraudes e ocultação de patrimônio, dando lugar à intervenção judicial.
Desde então, o processo tem sido marcado por omissões administrativas, conflitos internos e perda de valor dos ativos, cenário que preocupa não apenas os credores, mas também os trabalhadores, que temem pela paralisação das atividades e o comprometimento dos postos de trabalho.
A retirada do equipamento em Nova Guarita deve agora ser avaliada pelo juízo responsável pela intervenção, que poderá determinar medidas para garantir a integridade do patrimônio e restabelecer a segurança jurídica do processo de reestruturação.