Procurador: “É lógico que eu sabia da propina nesse processo”
Cursi e Chico Lima depõem sobre fraude de R$ 15 milhões
O ex-secretário de Fazenda Marcel de Cursi e o procurador de Estado aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, são os últimos réus da ação penal decorrente da operação Sodoma 3 a prestar seus depoimentos em Juízo, na tarde desta sexta-feira (28), na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.
Eles são acusados de terem participado do esquema de corrupção que desviou R$ 15 milhões dos cofres públicos por meio do processo de desapropriação do bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá, no ano de 2014, final da gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB). Este teria sido o maior beneficiário da fraude, com R$ 10 milhões que foram utilizados para quitar dívida política com o empresário do ramo de factoring Valdir Piran. Os outros R$ 5 milhões do desvio teriam sido divididos entre os então gestores do Executivo que colaboraram com o crime.
14h58 - Réu explica o motivo pelo qual o valor da indenização não foi pago para a imobiliária e sim para a factoring do advogado Levi Machado. Segundo Lima, Levi teria lhe contado que a Santorini estava com muitas execuções e cobranças por parte da Caixa Econômica e da Receita Federal, que exigiam débitos de mais R$ 60 milhões.
14h53 - O réu, respondendo às perguntas da promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco, revê os pareceres que emitiu. Ela mostra que houve alteração de datas nos documentos, diz que houve "adulteração de propósito" e pergunta por que ele fez aquilo. Chico Lima diz que não fez de propósito, que não se recorda, mas que pode ser que tenha se atrapalhado.
14h51 - O procurador aposentado afirma que por conta de sua amizade de mais de 20 anos com o dono do terreno desapropriado, acompanhou a tramitação do processo. Como Antônio Carvalho vivia no Canadá, este era quem telefonava para Chico Lima e saber notícias do caso.
14h43 - Após Antônio Carvalho concordar com o pagamento da propina, Chico Lima afirma que apresentou Filinto Muller a Pedro Nadaf, mas eles já se conheciam, e disse que ele era quem seria o operador do esquema de lavagem de dinheiro. Pedro Nadaf explicou a Filinto Muller como seria a operação, na qual ele teria que repassar R$ 10 milhões ao empresário e credor do ex-governador Silval Barbosa, Valdir Piran, também teria explicado que ele, Filinto, ficaria com 3% dos valores recebidos da desapropriação por meio da empresa do advogado da Santorini Empreendimentos, Levi Machado.
14h40 - Posteriormente, Pedro Nadaf teria falado a Chico Lima que teria que haver um "retorno", ou seja, propina do dono da área em troca da desapropriação. O ex-procurador afirma que repassou a proposta para Antônio Carvalho, que inicialmente ficou reticente.
14h38 - Já em janeiro de 2014, Chico Lima afirma que foi procurado por Pedro Nadaf, que queria saber se o processo de desapropriação da área estava com tudo em ordem, o que foi confirmado. O problema é que não havia recurso destinado para pagar a indenizaão ao dono da imobiliária Santorini Empreendimentos Imobiliários Ltda, o que se tornou tema de debate no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Condes), para definir o remanejamento de valores.
14h37 - Francisco Lima afirma que a pedido de Antônio Carvalho, contou o caso para Pedro Nadaf, que inicialmente não deu maior importância ao caso, até que em 2013 o processo começou a receber atenção do governo.
14h33- "Eu já conhecia o Antônio desde 1980, ele fez o projeto de arquitetura da minha casa. E um dia eu fui na Polícia Federal fazer passaporte e encontrei ele lá. Ele me contou que estava morando no Canadá, que tinha acabado toda a empresa dele aqui e estava morando no Canadá. Eu faei: Olha, estou trabalhando na Procuradoria do Estado, se precisar de alguma coisa, pode me procurar", relata Chico ima sobre seu envolvimento com o ex-proprietário da área do Jardim Liberdade e delator nesta ação, Antônio Rodrigues de Carvalho.
Nesta ocasião, segundo o réu, o arquiteto lhe falou que havia um processo antigo de pedido de desapropriação e pediu ajuda dele para obter exito em sua demanda.
14h31 - Chico Lima afirma que tinha um negócio antigo com o empresário do ramo de factoring e delator, filinto Muller, que foi o operador da lavagem de dinheiro e repassou valores ilícitos da desapropriação ao ex-procurador. "Eu tinha dinheiro com ele e ele foi pagando isso aí. Ele estava protelando e foi uma maneira que eu consegui para receber", disse. Segundo ele, havia créditos a receber de Filinto, o que foi pago e ainda houve uma ultrapassagem de R$ 200 mil no valor que ele acabou recebendo.
14h27 – Com relação a sua participação no esquema criminoso, Chico Lima afirmou: "Eu dei o parecer no processo, que foi reapreciado por dois outros procuradores e eu apresentei realmente o proprietário da área ao senhor Pedro Nadaf [ex-chefe da Casa Civi] e interferi de certa maneira pra que fosse efetuada essa desapropriação. (...) Eu recebi valores a mais daquela pessoa que estava pagando propina", afirmou.
14h25 - A audiência é iniciada com a oitiva do procurador aposentado Francisco Lima, o Chico Lima, que afirma que parte da denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra ele é verdadeira.