Processo envolvendo Piran e Mauro Carvalho cita depósito suspeito de R$ 5 milhões
A ação penal gira em torno de precatórios negociados com a construtora Andrade Gutierrez
Processo sigiloso envolvendo o secretário de Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho, em transação suspeita realizada pelo empresário Valdir Piran aciona ainda mais oito pessoas. A ação penal gira em torno de precatórios negociados com a construtora Andrade Gutierrez e descreve sistemática parecida à descrita em processo proposto em junho (o mais recente citando o delator premiado Junior Mendonça).
São acionados, além de Mauro Carvalho, os ex-secretários de Fazenda Eder Moraes e Edmilson José dos Santos, o ex-presidente da Andrade Gutierrez, Rogério Nora de Sá, o vice-presidente jurídico da empreiteira, Luiz Otávio Mourão, o empresário Valdir Piran e seu filho, Piran Junior, Cleabedais Mantovani e o procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho.
Segundo os autos, o grupo de pessoas executaram atividades típicas de instituições financeiras sem a devida autorização do Banco Central.
Transação supostamente irregular arquitetada por Eder Moraes com a Andrade Gutierrez destinou R$ 288 milhões ao empresário Valdir Piran por meio de contrato de cessão de direitos de precatórios.
Mauro Carvalho é acusado de ter lavado uma pequena parte do dinheiro destinado a Piran. Conforme o MPF, Piran, por meio da Piran Sociedade de Fomento Mercantil, transferiu à Pequena Central Hidrelétrica São Tadeu Energética o montante de R$ 5,8 milhões. A PCH é propriedade de Mauro Carvalho.
Do montante de R$ 5,8 milhões, a quantia de R$ 2,6 milhões foi paga em cheques depositados na conta de titularidade da São Tadeu no Bic Banco. “Há robustos elementos de prova que revelam a realização de elaborada engenharia financeira para que Eder de Moraes Dias, por meio de triangulação levada a efeito através do pagamento ilegal dos precatórios, e com o auxílio dos representantes da construtora Andrade Gutierrez S/A, desviasse recursos dos cofres do estado de Mato Grosso para quitar dívidas do grupo político, dívidas essas constituídas a partir de empréstimos concedidos em favor da empresa São Tadeu Energética”, afirmou o MPF na denúncia.
O órgão ministerial ainda cita notas promissórias com valor total de R$ 11 milhões emitidas à Piran Sociedade de Fomento Mercantil assinadas por Eder, as quais ostentam menção à São Tadeu Energética.
A ação foi proposta em 2015 e permanece em sigilo.