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Primo afirma que Malouf mentiu sobre ameaça de ex-secretário
Informação consta em um documento registrado no dia 8 de novembro de 2018 em um cartório de Cuiabá
O empresário Mário Mansur Bumlai Junior afirmou que Alan Malouf, sócio do Bufett Leila Malouf, mentiu no seu acordo de delação premiada ao dizer que teria sido ameaçado pelo ex-secretário de Fazenda Paulo Brustolin, em um encontro ocorrido em 2017. Mansur é primo de Malouf e foi quem promoveu o encontro entre ele e Brustolin.
A informação consta em um documento registrado no dia 8 de novembro de 2018 no Cartório de 7º Ofício em Cuiabá.
Malouf é réu e delator do esquema de desvio de dinheiro público investigado na Operação Rêmora. Ele já foi condenado a mais de 11 anos de prisão pela participação. A operação em questão desarticulou um esquema de fraudes em diversas licitações da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para construção e reforma de escolas durante o governo de Pedro Taques (PSDB).
Na delação, ele relatou que recebeu a visita inesperada de Mansur, que lhe convidou para dar uma volta de carro e tratar de um assunto particular. No meio do caminho, Mansur teria dito que queria que ele conversasse com um amigo. Neste momento, parou o veículo próximo à Ambev, ocasião em que Burstolin adentrou.
Segundo o empresário, o ex-secretário insistia em saber se tinha feito delação premiada e o que teria falado dele. Ainda na conversa, conforme Malouf, ele teria pedido que, se acaso fizesse algum acordo, o informasse para que ajustassem suas versões, pois ele (Brustolin) também queria “entregar o Pedro”.
No documento registrado em cartório, porém, Mansur frisou que, durante todo o tempo que permaneceram no veículo, não presenciou nenhuma intimidação de Paulo Brustolin em relação a Alan Malouf ou sua família. Esta é a terceira declaração que põe em xeque a delação de Malouf.
“Jamais vi o Paulo fazer qualquer ameaça a Alan. Pelo contrário, o que sempre existiu e o que vi no dia do referido encontro foi uma relação de respeito entre ambos”, diz Mario Mansur Junior em declaração.
Mansur ainda conta que promoveu o encontro com o intuito de tentar reaproximá-los, pois soube que a amizade entre eles estava “estremecida”.
“O encontro ocorreu da seguinte maneira: eu fui até o condomínio da residência de Alan Malouf, em Cuiabá, e resolvi convidá-lo para ir comigo até o Condomínio Vila Jardins, região do Sucuri, para mostrar uma área para ele, pois sabia que Paulo Brustolim estaria lá naquele horário”.“O Alan aceitou o convite e foi comigo até o local, sem saber da minha intenção de promover uma conversa entre ele e o Paulo. Chegando lá, parei ao lado do carro, chamei Paulo e pedi para que ele entrasse no meu carro, quando ele entrou no banco de trás e se deparou com o Alan, ele ficou surpreso e perguntou o que era aquilo”.
“Nesse momento eu comecei a andar com o carro e falei para os dois o motivo de promover aquele encontro, pois eu era amigo de ambos e queria que eles conversassem, que eu gostava dos dois e queria vê-los conversando novamente”.
Segundo Mansur, eles circularam pela cidade durante 20 ou 30 minutos e a conversa foi sobre diversos assuntos, sendo que em nenhum momento houve diálogo de cunho intimidador ou em tom de ameaça entre eles.
“O que houve foi uma conversa sobre a amizade que existia e também da situação do Estado naquele momento”, pontuou.