Presidente da ALMT diz que plenário vai analisar prisão de Fabris antes de convocar suplente
Ele aparece em vídeo de delação feita à PGR reclamando de valor de suposta propina
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Eduardo Botelho (PSB), afirmou que o plenário deve votar se a prisão do deputado estadual Gilmar Fabris (PSD), pela Polícia Federal, nesta sexta-feira (15), será mantida.
A Casa de Leis aguarda a comunicação oficial da PF sobre o caso para, então, convocar os deputados para uma reunião ordinária ou extraordinária.
"O plenário pode sustar o decreto da prisão. Vamos colocar a prisão em votação, para saber se ela será mantida ou não", disse.
Gilmar Fabris teve a prisão determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, por suposta obstrução à Justiça no âmbito da Operação Malebolge, deflagrada na quinta-feira (14) para investigar esquema de propina no governo de Mato Grosso, crimes financeiros e lavagem de dinheiro. A decisão também determina o afastamento dele do cargo.
Fabris aparece em um vídeo entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) insatisfeito com o valor de uma suposta propina. Em nota, Gilmar Fabris negou ter agido para destruir provas ou obstruir a Justiça. Ele se entregou à Polícia Federal, acompanhado de seus advogados, na tarde de hoje.
De acordo com o presidente do Legislativo, se os deputados votarem pela suspensão da prisão de Fabris, isso não interfere na determinação do STF para que o deputado permaneça afastado da Assembleia Legislativa.
"Assim, iremos consultar o STF para saber sobre o prazo do afastamento. Se essa decisão de afastamento não for revogada, possivelmente teremos que convocar o suplente. Agora, caso o plenário vote pela manutenção da prisão, o suplente deverá ser convocado imediatamente", disse.
Vídeo de Silval
No vídeo que Silval entregou como provas materiais no acordo de delação premiada, Fabris reclama do valor entregue pelo ex-chefe de gabinete. Ele questiona Silvio Cezar Corrêa, que era responsável pelo pagamento de propina e outras vantagens indevidas a políticos durante a gestão de Silval Barbosa, sobre os R$ 100 mil que seriam pagos a ele.
Segundo Silval Barbosa, Fabris é um dos sete deputados estaduais que, entre 2012 e 2013, o procuraram e exigiram dinheiro de propina de obras da Copa do Mundo de 2014 e do programa MT Integrado para aprovar as contas do Executivo durante a gestão dele.
Para o apoio, cada deputado teria cobrado R$ 1 milhão e, após muitas negociações, o ex-governador afirmou que os deputados aceitaram receber R$ 600 mil em propina cada, que foram pagos em 12 parcelas.
Na conversa com o então chefe de gabinete, que era considerado homem de confiança de Silval Barbosa, Fabris pergunta quanto os outros, possivelmente se referindo a outros deputados, iriam receber e Sílvio diz que os outros receberiam R$ 50 mil, mas promete a entrega do restante em outro dia.