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Preço do biocombustível sobe em Mato Grosso
Preço médio do litro do biocombustível já não é mais o segundo menor do País
Mato Grosso não tem mais o segundo melhor preço médio para o etanol hidratado. As sucessivas altas registradas nas bombas, desde o mês passado, derrubaram o biocombustível no ranking nacional da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que de segundo lugar foi ao terceiro, sendo ultrapassado por Goiás. Conforme levantamento da Agência entre os dias 15 e 21 desse mês, o estado de São Paulo manteve o menor valor do Brasil, R$ 2,802, seguido por Goiás, com R$ 2,923 e Mato Grosso com R$ 2,969.
Apenas esses três estados exibem o preço médio de bomba abaixo dos R$ 3. A maior média desse início de segunda quinzena foi registrada no Rio Grande do Sul, R$ 4,069 e no Acre, R$ 4,033.
O Indicador de preços do Etanol Hidratado Combustível da Esalq – utilizado pelo Sindicato das Indústrias Sucroalcooleieras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool), o preço médio semanal, em Mato Grosso, entre 9 a 13 desse mês foi de R$ 2,407, abaixo do aferido na semana anterior – 2 a 6/04 – R$ 2,584, mostrando uma redução R$ 0,17.
Como já publicado pelo Diário, março registrou o maior preço médio para o litro do etanol hidratado, em 2018, no Estado. O biocombustível fechou o mês custando em média R$ 2,644, 2,17% acima da média de fevereiro, em R$ 2,569. A média de março também superou a de janeiro apurada em R$ 2,548. Dentro da série histórica da Agência para o Estado, o valor foi o terceiro maior para o mês, atrás apenas do que foi apurado em março de 2016, R$ 2,689 e de março do ano passado, R$ 2,648.
E abril deu sequencia às altas na bomba. Assim como o registrado pelo Diário e pela ANP, o litro atingiu o recorde de valores no varejo ao ser ofertado a R$ 3,199, em postos de Cuiabá e de Várzea Grande.
O diferencial em favor do consumidor tem sido proporcionado pelas promoções, que ofertam valores de bomba que destoam dos preços máximos. Se é possível encontrar o etanol a R$ 3,199 em revendas da Rodovia Palmiro Paes de Barros, na Capital, na Avenida Miguel Sutil, na Avenida Fernando Correa, em Cuiabá, e na Avenida Castelo Branco, o litro “em promoção” custa R$ 2,559. No entanto, nas duas cidades, os valores mais comuns estão entre R$ 2,899 e R$ 2,999.
O Indicador de preços do Etanol Hidratado Combustível da Esalq – utilizado pelo Sindicato das Indústrias Sucroalcooleieras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool), o preço médio semanal, em Mato Grosso, entre 9 a 13 desse mês foi de R$ 2,407, abaixo do aferido na semana anterior – 2 a 6/04 – R$ 2,584, mostrando uma redução R$ 0,17.
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo) explica sempre que os valores de bomba dos combustíveis de maneira geral dependem de diversos fatores, pois sofrem interferências dos custos de cada revendedor, do valor que recebem do distribuidor e o frete e ressalta que o mercado é livre para definir seus preços, e que por isso, é possível ver “promoções”, pelas quais os próprios empresários determinam as regras, como por exemplo, aceitar apenas dinheiro como pagamento, ou ainda dinheiro e cartão de débito.
ANÁLISE – De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única) - entidade representativa das principais unidades produtoras de açúcar, etanol (álcool combustível) e bioeletricidade da região Centro-Sul do Brasil – a redução na bomba está demorando a chegar ao consumidor, sendo que em 2018, a lentidão está sendo histórica. “Analisando o mesmo intervalo de tempo (cinco semanas) ao longo da entressafra em vários anos, constata-se que o atraso no repasse de preço ao consumidor observado em 2018 é superior ao padrão histórico para o período”, destaca o diretor Técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.
Ele reforça ainda que “nesse ano, a demora no repasse de preços é muito grande”. Mesmo considerando uma possível recomposição da margem bruta de comercialização dos agentes para o padrão histórico, o preço de bomba do hidratado em São Paulo – preço referência no país - deveria ter caído R$ 0,27 por litro para retratar a retração observada no valor praticado pelas usinas.
Em outros importantes estados consumidores de etanol, o cenário de queda foi ainda pior. No Paraná, a retração no preço de bomba foi de apenas R$ 0,02/litro. Em Minas Gerais e Goiás foi registrado, para o mesmo período, um aumento de R$ 0,02 e R$ 0,09 por litro de etanol, respectivamente.
Conforme a Unica, em um período de cerca de um mês, o litro ao produtor passou de R$ 1,90 para R$ 1,52, queda de R$ 0,38.
“O setor produtivo garantiu a oferta de produto em toda a entressafra e ampliou a disponibilidade de etanol com a antecipação da moagem. Essa injustificada lentidão no repasse de preço ao longo da cadeia tem prejudicado a competitividade do hidratado e os consumidores, que poderiam estar pagando um valor mais baixo pelo produto”, frisou o executivo da Unica.