Polícia prende acusados de esquema milionário em Sorriso, Sinop e Tangará
Segundo delegado, empresários da Capital do Agronegócio sabiam que os produtos adquiridos eram furtados
Quatorze pessoas envolvidas em um esquema milionário de desvio de mercadorias foram presas na operação "Confidere", deflagrada hoje (31), pela Polícia Judiciária Civil de Sorriso para cumprimento de mandados de prisão preventiva, sequestro de mais de R$ 7 milhões em bens e 9 buscas e apreensões em três cidades do Nortão. A investigação foi presidida pelo delegado Bruno Abreu.
A estimativa é que a quadrilha tenha desviado em produtos cerca de R$ 15 milhões, segundo Bruno Abreu informou ao Portal Sorriso MT.
Em entrevista coletiva de imprensa, nesta manhã, o delegado André Ribeiro informou que os funcionários da empresa de Sinop desviavam materiais do estoques e vendiam a preços mais baratos. "Eles furtavam a empresa e aqui em Sorriso alguns empresários compravam esse material no mercado paralelo, mais barato. Nossa investigação confirmou que esses empresários sabiam que eram produtos desviados da empresa de Sinop. Um empresário confessou e contou toda a história de como funcionava o esquema".
As prisões foram efetuadas em Sorriso, em Sinop e Tangará da Serra. O delegado de Sorriso, Bruno Abreu, confirmou que cinco dos presos são gerentes da empresa vítima e tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos. Os demais foram autuados em flagrante por receptação qualificada.
Os cinco gerentes são: Fernando Rodrigues da Silva, apontado como o líder da quadrilha e gerente de vendas da empresa; Marcos Silva (gerente); Ricardo Alves de Oliveira Ferreira (gerente de expedição), Fábio dos Santos Alexandre (representante comercial da empresa, em Tangará da Serra) e Márcio Boria (gerente de expedição em Rondonópolis).
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As buscas foram realizadas nas cidades de Sorriso, Sinop, Alta Floresta e Tangará da Serra, em empresas e residências dos suspeitos ligados ao esquema. Nos locais foram apreendidos folhas de cheques de bancos diversos e vários metais como tubos, bobinas entre outros.
A investigação iniciou em janeiro deste ano, depois de denúncia de uma empresa do ramo de fabricação e exportação de Aço Metal, sediada em Sinop, por suspeita de que gerentes de alta confiança do estabelecimento estariam desviando materiais, por meio do cancelamento de notas fiscais.
A vítima é uma empresário renomado de Sinop, que já ocupou cargo público no município, e que teve prejuízo que ultrapassa os R$ 15 milhões.
Em 2015, essa mesma empresa entrou com pedido de recuperação judicial por dívidas de R$ 38 milhões. Mas esse não seria o motivo da denúncia e, sim, o fato de inúmeras reposições do estoque sem aparentes explicações e também o cancelamento de notas fiscais emitidas pela própria empresa vítima, como se o material comercializado não tivesse saído do depósito.
Na investigação foi detectado que 1.200 notas fiscais foram emitidas e canceladas pelas empresa credora no período de 2 anos, totalizando quase R$ 15 milhões em mercadorias supostamente devolvidas ou desistência de compras.
Sorriso
A Polícia Civil apurou o envolvimento de empresas de Sorriso, na receptação dos produtos comercializado fraudulentamente. "A vítima detectou uma nota cancelada em uma empresa de Sorriso, fizemos vigilância e comprovamos que o material foi entregue e a nota cancelada", explicou Abreu.
Ainda conforme o delegado, recentemente foi descoberto um furto da empresa da vítima e na apuração chegou-se a empresa receptadora dos produtos em Sorriso. "A partir daí iniciamos uma investigação mais detalhada e foi descoberto que 5 gerentes vêm há anos roubando de forma gritante a empresa que trabalham", disse.
Um empresário de Sorriso, que não foi encontrado na cidade, informou que se apresentará à Polícia Civil. "Vamos continuar as investigações e podemos chegar a novas empresas aqui em Sorriso", acrescentou Ribeiro.
Os produtos desviados eram receptados por empresas da região, sendo empresas em Sorriso, Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, 1 pessoa física em Tangará da Serra, 1 em Barra do Bugres e suspeita de uma empresa em Tapurah, em concluío com os gerentes da Aço Metal.
Os funcionários desde que passaram a operar o esquema acumularam patrimônios milionários, incompatíveis com os salários de R$ 4 mil, que cada um ganham. Eles responderão por crimes de organização criminosa, mediante a distribuição de tarefas, furto mediante fraude, abuso de confiança e concurso de pessoas.
"Estamos também investigando alguns crimes de lavagem de dinheiro praticados por um deles, tendo em vista que estão tentando ocultar bens em nome de terceiros. As empresas receptadoras vão responder por receptação qualificada e todas por crimes contra a ordem tributária, em razão dos produtos entrarem e saírem das empresas sem que o fisco fique sabendo. Será solicitada uma autoria em todas as empresas, por suspeita de irregularidades cometidas", finalizou o delegado Sérgio Abreu.
Na investigação, a Polícia Civil representou pelo sequestro de mais de R$ 7 milhões em bens, referentes a carros de luxo, como BMW e fazendas, adquiridas ilicitamente pelos envolvidos.