PF diz que traficantes apresentaram plano de voo falso
Segundo Polícia Federal, estratégia serviria para burlar eventual fiscalização
A Polícia Federal revelou nesta terça-feira (27) que a informação de que o avião interceptado com mais de 600 quilos de cocaína no domingo (26), em Goiás, teria decolado da Fazenda Itamarati Norte seria parte de um plano de voo falso.
A Itamarati Norte pertence à Amaggi, empresa da família do ministro da Agricultura Blairo Maggi.
O piloto Apoena Índio do Brasil e o copiloto Fabiano Júnior da Silva foram presos na segunda-feira (26), em um hotel de Jussara (GO), cidade em que a aeronave pousou, no meio de uma fazenda.
As primeiras informações da Força Aérea Brasileira davam conta de que o avião tinha saído da fazenda Itamarati Norte, no Município de Campo Novo do Parecis (396 Km de Cuiabá), e iria para Santo Antônio do Leverger.
Segundo a assessoria da polícia Federal, essa informação foi dada pelo piloto, durante a interceptação da FAB, iniciada em território mato-grossense, como uma tentativa de burlar uma eventual fiscalização.
Em entrevista à rádio Capital FM, nesta terça-feira (27), Blairo Maggi disse que essa afirmação da Força Aérea causou transtornos à família Maggi.
“Acho que por parte da FAB faltou um pouco de sensibilidade de entender que existe política envolvida nisso, existe uma empresa envolvida e ter, no mínimo, aguardado o posicionamento do piloto para depois dizer de onde saiu a aeronave ou não”, disse o Ministro.
Agora, depois de presos, o piloto e o copiloto disseram que trouxeram a droga da Bolívia, que não estiveram na fazenda Itamarati Norte e que o destino final seria Goiânia (GO).
O delegado federal Bruno Amorim, que está comandando as investigações, está ouvindo o piloto e o copiloto nesta terça-feira (27) e só depois disso haverá informações se há mais pessoas envolvidas no caso.
“Vai ser apurado desde a propriedade da aeronave, quem seria o real proprietário dessa droga e qual seria o destino final da droga, pois podem ser outros Estados”, disse o delegado à TV Anhanguera, de Goiânia.
A droga, avaliada em mais de R$ 10 milhões, estava distribuída em 21 fardos com escritas de uma empresa boliviana.