GAFFFF Sorriso começa dia 23 e reunirá governadores de todo o Brasil
Onze a cada 100 bebês de MT nascem antes do tempo
Há localidades em que este indicador é até pior, chegando a 18%
A cada 100 bebês que nascem em Mato Grosso 11 são prematuros, ou seja, não chegam a 37 semanas de gestação e portanto correm risco de morte e de ter sequelas.
No Dia Mundial da Prematuridade - 17 de novembro - a intenção é alertar para este problema mundial, mas que no Brasil preocupa mais porque os indicadores são ruins. A taxa de Mato Grosso acompanha a nacional, ou seja, também é preocupante.
Há localidades em que este indicador é até pior, chegando a 18%, mas em alguns países desenvolvidos da Europa é muito melhor, baixando para apenas 5%.
Quanto à prematuridade há casos evitáveis e inevitáveis como os provocados pela hipertensão gestacional.
Quem passou por isso é a fotógrafa de casamentos e festas Regiane Conceição Silva, 28, do bairro Dom Aquino, em Cuiabá. Grávida, a pressão arterial dela oscilava de 13 por 10 a 18 por 10, mesmo tomando medicamentos e fazendo dieta. "Fiquei muito preocupada. Segui orientação médica, tomei remédios, cortei sal, sódio e comidas que não são indicadas, mas mesmo assim na 34ª semana internei. Seguraram a gestação até a 36ª semana e daí fizeram a cesária de urgência", detalha.
Dia 6 de outubro deste ano nasceu Lívia Ester, com 2 quilos, indo direto para a UTI Neo-natal do Hospital Geral Universitário (HGU), que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Hoje a Lívia Ester pesa 2 quilos e 200 e já teve alta. "Mama no peito, está ótima e trouxe alegria para minha casa, todos estão envolvidos, minha mãe, meu marido, que me ajudam bastante, estamos felizes", comenta a mãe, aliviada.
A prematura Lívia escapou da estatística dominante. De 15 milhões de prematuros que nascem por ano no mundo, 1 milhão não resiste e morre.
A pediatra neonatologista do HGU Gisele Couto ressalta que a redução da taxa de mortalidade infantil no mundo é 4ª meta do milênio da Organização Mundial de Saúde e que a prematuridade é fator que eleva esta estatística.
São ainda mais comuns as perdas de prematuros extremos, que nascem com menos de 28 semanas ou seja antes dos 7 meses.
"A taxa de mortalidade infantil é muito alta. No Brasil, gira em torno de 12 mortes por mil nascidos vivos. Estas mortes ocorrem no primeiro ano de vida. Destas mortes, 69% ocorrem no primeiro mês de vida. Delas, 70% são prematuros", informa a médica.
"É preciso concentrar esforços para garantir um bom pré-natal, dar assistência adequada após o nascimento, melhorando a infra-estrutura de UTIs e também garantindo o acompanhamento ambulatorial a estes bebês porque eles têm uma condição especial, não são como os outros, precisam de atenção especial também".
Causas
A principal causa de prematuridade por indicação médica no Brasil e no mundo é a pressão alta gestacional, que é inevitável. Neste caso, para as mães, o desafio é tomar o remédio corretamente e fazer dieta; para os médicos, é definir o momento ideal da interrupção.
Quanto às causas espontâneas, ou seja, casos em que a mãe entra em trabalho de parto, a motivação principal é a infecção urinária, que pode ser identificada em exames de urina trimestrais que devem ser pedidos no pré-natal e, se diagnosticada, é facilmente tratada.
"Avanços tecnológicos, nos últimos 20 anos, aumentaram a sobrevida de prematuros mas a morbidade ainda muito alta e este é o recado que queremos passar nesta data, chamar atenção para o que pode ser feito, para garantir a vida de nossos bebês", alerta a médica Gisele Couto.
Principais motivos de prematuridade
Uso de álcool e drogas na gestação
Tabagismo na gestação
Doenças maternas, como cardiopatias e lúpus.
Gemelaridade
Infertilidade
Malformação fetal
Patologias do útero, como miomas e má formação
Infecções maternas, como a urinária
Idade materna
Posicionamento da placenta
Pré-natal malfeito
Obesidade