Obesos cobram cirurgias suspensas em Mato Grosso
Governo disse que repasse foi efetuado
A cabeleireira Daniely Cristine da Costa Boabaid, 36, de Barra do Garças (509 Km a Leste de Cuiabá), pesa 105 quilos e sofre de pressão alta. Ela e pelo menos mais 10 pacientes, que sofrem de obesidade mórbida, estavam com datas marcadas para fazer cirurgia bariátrica, mas os procedimentos foram desmarcados devido à paralisação dos médicos e funcionários do Hospital Metropolitano de Várzea Grande, por falta de repasse do Governo do Estado o que impacta no pagamento de salários.
A cirurgia de Daniely seria realizada na última sexta-feira (12) às 14 horas. Como não recebeu nenhum comunicado, ela, que fez tratamento pré-cirúrgico por 10 meses, veio para Cuiabá na quinta à noite e se hospedou em um hotel. Na sexta, foi ao hospital e ficou sabendo que não seria operada. No final de semana, também acompanhou a situação e nada. Na segunda-feira, começou a ficar preocupada com a demora.
"A gente se prepara e chega aqui e fica nessa situação. Inclusive não tenho dinheiro para pagar o hotel, estou precisando pedir ajuda na família", lamenta.
"Cheguei a pesar 120 quilos, o que é muito para minha altura, que é de 1 metro e 60. Emagreci 15 quilos para operar. A gente faz um esforço e, no meu caso, fui encaminhada em caráter de urgência, porque minha pressão, mesmo tomando 7 remédios, vai a 22", relata.
No período da tarde, nesta terça-feira (16), pacientes que estão nesta situação vão para frente do Hospital Metropolitano, protestar.
Há 2 meses, estão suspenso exames e cirurgias.
O Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT), informa que foi liberado ontem (15), o valor de R$ 1,222 milhão referente a pendências em 2017.
"Com esta liberação o hospital retorna a normalidade nesta terça-feira, dia em que assume a nova diretoria do hospital", diz trecho da nota da SES.