Polícia Militar interrompe 'tribunal do crime' e resgata homem mantido em cárcere privado
Vítima foi agredida e filmada em chamada de vídeo para presídio; ação na zona leste na manhã desta quinta-feira (21) resultou na prisão de dois suspeitos e na apreensão de uma adolescente
A Polícia Militar interrompeu uma sessão de tortura e cárcere privado na manhã desta quinta-feira (21), no bairro São Mateus, localizado na zona leste. A ação rápida dos policiais resultou no resgate de um homem e na detenção de três suspeitos que estariam atuando em nome de uma facção criminosa, simulando o procedimento conhecido como "tribunal do crime".
A operação teve início após uma testemunha presenciar as agressões e acionar a polícia através do serviço de emergência. Ao chegarem ao endereço indicado, os policiais militares cercaram a residência e flagraram a situação. Um dos suspeitos conseguiu fugir pulando os muros dos fundos e invadindo propriedades vizinhas, mas um homem maior de idade e duas mulheres — sendo uma delas menor de idade, de 15 anos — foram detidos em flagrante no local.
De acordo com o relato do sargento Almeida e do cabo Rafael Lucas, responsáveis pela ocorrência, a vítima informou que havia passado em um bar na região da Tangará antes de ir para o trabalho. No local, o grupo avançou contra ele, iniciando uma perseguição pelas ruas do bairro São Mateus. Na tentativa de se salvar, o homem correu e buscou abrigo dentro da casa de sua ex-sogra. Os agressores, no entanto, violaram o domicílio, invadiram a propriedade e o renderam.
Durante o período em que foi mantido em cárcere, o homem sofreu diversas agressões físicas, resultando em escoriações visíveis no rosto, na testa e nas pernas. A vítima relatou que, enquanto apanhava, os criminosos utilizavam um aparelho celular para realizar uma chamada de vídeo ao vivo. A suspeita da polícia é de que as imagens estavam sendo transmitidas para dentro de uma unidade prisional, de onde líderes da facção davam ordens para a execução do "corretivo".
Na delegacia, as suspeitas apresentaram uma versão diferente para o início do conflito. Elas alegaram que estavam no bar quando a vítima passou pelo local e as agrediu fisicamente, motivando a reação do grupo. A denúncia recebida pela polícia, contudo, apontava que as mulheres haviam chamado especificamente dois integrantes de uma facção criminosa para retaliar o homem.
Durante as buscas pessoais e no perímetro da residência, os policiais localizaram diversos invólucros de substância análoga à cocaína. Os suspeitos confessaram às autoridades que já possuíam envolvimento histórico com organizações criminosas, embora alegassem não fazer mais parte delas. Um dos rapazes envolvidos já havia sido preso pela mesma guarnição policial há poucos dias pelo crime de tráfico de drogas.
Os dois homens maiores de idade e a adolescente de 15 anos foram conduzidos para a Delegacia de Polícia Civil, onde o caso foi registrado. Eles deverão responder pelos crimes de tortura, lesão corporal, cárcere privado, invasão de domicílio e tráfico de entorpecentes. As investigações continuam para identificar e localizar o quarto envolvido que conseguiu fugir do cerco policial.