Nadaf foi contratado, mas não ministrou palestras
Três testemunhas de defesa foram ouvidas pela juíza Selma Arruda
Três testemunhas de defesa arroladas por advogados dos empresários Alan Malouf e Valdir Piran, ambos processados numa ação penal que tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá por crimes investigados na 4ª fase da Operação Sodoma, foram ouvidas nesta terça-feira (25) pela juíza Selma Rosane Santos Arruda.
Uma delas, Beatriz D’ Ambros, funcionária do Buffet Leila Malouf, do qual Alan é um dos sócios, confirmou que o ex-secretário de Fazenda, Pedro Nadaf, também réu no processo, foi o beneficiário de 2 notas emitidas com valores entre R$ 7 e R$ 8 mil cada uma, emitidas em 2015, apesar de ele não ter ministrado as palestras com dicas empresariais conforme foi selecionado dentre outros profissionais.
A suspeita do Ministério Público Estadual (MPE), autor da denúncia contra os 17 réus na ação penal, é que Alan Malouf ajudou a lavar dinheiro desviado dos cofres do Estado na desapropriação de um terreno 55 hectares no bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá.
O imóvel foi desapropriado pelo Estado no valor de R$ 31 milhões enquanto estava avaliado em R$ 17,8 milhões. Posteriormente, as investigações da Polícia Civil por meio da Delegacia Fazendária (Defaz) e do Ministério Público apontaram que a diferença de R$ 15,8 milhões foi propina cobrada pelos integrantes da organização criminosa chefiada pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB). Nesse contexto, o MP afirma que outros agentes públicos e empresários denunciados também ajudaram a lavar o dinheiro oriundo de crime de corrupção.
Beatriz é diretora operacional e coordenadora do projeto “Evento 100% Inesquecível” desenvolvido pelo Leila Malouf desde em 2010. Atualmente, em sua 7ª edição, o projeto é voltado para empresários e por isso são realizadas palestras com diversos profissionais sobre variados temas que falam de economia, mercado, vendas, liderança, gestão, inovação, pessoas e outros tópicos. A testemunha confirmou diante da juíza Selma Rosane que em 2015 foi cogitado o nome de Pedro Nadaf para ser um dos palestrantes. A definição era realizada em reuniões junto ao empresariado que participa do projeto.
“O Alan falou pessoalmente com o Pedro Nadaf para contratá-lo”, revelou a testemunha ao confirmar que foram emitidas 2 notas fiscais para pagar as palestras que Nadaf não ministrou. Beatriz revelou que ficou aguardando Nadaf para realizar a palestra, mas ele não compareceu e foi preciso chamar outros palestrantes. A ideia era que falasse do mercado em geral, sobre os rumos da economia de Mato Grosso como estava na época para os empresários terem uma noção de como e onde investir.
Apesar de deixar claro que ela não era responsável pelos pagamentos e contratos com os palestrantes, Beatriz D’Ambros confirmou ter ouvido do próprio Alan Malouf que as as notas fiscais emitidas para Pedro eram para custear as palestras de Nadaf, mas que ao final não foram pagas. “Foram emitidas, mas não foram pagas”, atestou. As palestras, segundo ela, eram fechadas por valores entre R$ 5 mil e R$ 10 mil com diversos profissionais.
Empresa de testemunha contrata empresa de Nadaf
Beatriz também é sócia na empresa Martins de Almeida, uma das prestadoras de serviço ao restaurante Mahalo que é ligado ao Leila Malouf. Na audiência, a promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco Silva questionou a testemunha sobre um contrato entre a empresa dela com a NBC Assessoria e Consultoria, de propriedade de Pedro Nadaf que foi usada para lavar dinheiro de propina.
A testemunha afirmou desconhecer tal vínculo e se disse surpresa ao tomar conhecimento de que existe nos autos de um processo sigiloso da Sodoma, os detalhes do contrato no qual a Martins de Almeida contratou a NBC Assessoria ao custo mensal de R$ 8 mil para serviços de consultoria. Beatriz olhou o processo conferiu assinaturas e confirmou tratar-se da assinatura de seu sócio. Por fim, disse para a promotora Ana Bardusco que o sócio dela deve ter firmado o contrato sem consultá-la. Afirmou ainda não ter conhecimento de outro contrato entre a empresa dela com uma segunda empresa onde consta o nome do sócio dela como representante.
Outras testemunhas
Na audiência, a juíza Selma Rosane também ouviu Silbene Mello Moreira, outra testemunha de defesa de Alan Malouf. Ela contou que presta serviço ao grupo de empresas de promoção de eventos. Também um contrato com o Buffet Leila Malouf. Em seu depoimento ela respondeu questionamentos do Ministério Público sobre eventos realizados em 2015, além das como palestras e treinamentos realizados no projeto “Evento 100% Inesquecível”.
Por fim, a última oitiva foi da secretária executiva, Aline Herane Ziolkowski, arrolada pela defesa de Valdir. Ela é funcionária do Grupo Piran desde 2013 e se limitou a falar de sua rotina enquanto secretária responsável pelo atendimento inicial dos clientes e visitantes que chegam na empresa e também por agendar atendimentos.
Ela afirmou que nunca viu ex-governador Silval Barbosa na empresa de Piran. Por outro lado, confirmou ter visto Pedro Nadaf em pelo menos 2 vezes no escritório de Valdir Piran. Por fim, a testemunha encerrou seu depoimento elogiando o patrão, que segundo ela, é muito bom para todos os funcionários. “Ele é muito bom, em todos os sentidos”, atestou Aline.