Mulher que sofreu graves queimaduras em acidente doméstico morre após quase três semanas internada
Na web, jovem relata abusos que sofreu do pai por quase 10 anos
O caso está sob sigilo e é investigado pela Polícia Civil
Uma jovem, de 19 anos, que mora Mato Grosso, guardou para si por quase 10 anos os abusos que sofreu do pai desde os oito anos de idade. Recentemente, porém, ela quebrou o silêncio e relatou em uma publicação nas redes sociais os sucessivos abusos que sofreu e, inclusive, as tentativas de suicídio motivada pelos estupros.
"Hoje o sentimento é de raiva por não ter denunciado antes", contou. A jovem também procurou a Polícia Civil e denunciou o caso. A investigação segue sob sigilo.
No post, a jovem narra que os abusos começaram por volta de 2006, quando ela se mudou para a casa do pai, em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá. Antes disso, ela morava com a avó. Segundo ela, o sonho de infância dela era morar com o pai.
"Até que aconteceu. E eu estava tão feliz por ter minha mãe e meu pai por perto todos os dias. Mas um dia aquela felicidade se transformou em um inferno de dor que até hoje eu vivo", diz trecho da publicação que tem 21 mil curtidas e quase 10 mil compartilhamentos até a publicação desta reportagem.
A jovem conta que, à época, o pai se deitou na cama dela e alegou que os dois iriam brincar. Ela diz que fechou os olhos e ele começou a acariciar o corpo dela. No dia seguinte, a jovem narra que a situação voltou a acontecer.
Ela afirma que aos 12 anos chegou a relatar os abusos para a mãe, na esperança que ela se separasse e que as duas fossem embora.
"Ninguém nunca fez nada. Todos ignoraram a minha dor como se eu fosse nada. E continuou. Todos os dias na hora do almoço, ele me levava para dentro do quarto, trancava a porta, me deitava e eu tampava os olhos e chorava ali mesmo. Ele roubou minha infância e minha adolescência", diz a jovem.
Aos 15 anos, a vítima diz que tentou revidar e ameaçou denunciar o pai, caso os abusos continuassem acontecendo. "Ele [o pai] me agarrou pelo braço e me jogou no chão pra fora do quarto e me chamou de ingrata", lembra.
Em outubro do ano passado, segundo a jovem, ela tentou - pela primeira vez - suicídio. "Tomei trinta compridos de um remédio. Me levaram para o hospital e os médicos decidiram me internar em um manicômio. Fiquei lá por quatro dias", conta na publicação.
Em abril deste ano uma nova tentativa de suicídio. "Comprei lâminas e cortei meus pulsos. Mas acordei no hospital com o medico dando pontos nos cortes. Estava tão desesperada que gritei por ajuda naquele hospital e ninguém mais uma vez fez nada", narra.
A ajuda veio de uma tia que procurou um delegado e contou o caso da sobrinha. Em seguida, a jovem foi chamada para depôr na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Barra do Garças.
Atualmente, a garota mora com a avó e pede por Justiça. "Hoje, o sentimento é de raiva, mágoa, tristeza e desespero. Tenho raiva de não ter denunciado antes e dos prejuízos que isso me trouxe. Hoje o que quero é Justiça", conta.
"Eu escrevi esse texto para tentar ajudar de algum jeito as vítimas de abuso, que vivem o que vivi. Você é forte menina! Você é muito forte, então se levante e não se esconda. É o seu corpo e é você quem decide quem o toca. Se ninguém te ajuda, ajude a si mesma. Você é linda e é digna de amor", finaliza.