MPE: irmão tinha função de arrecadar propina e proteger Silval Barbosa
Denúncia de promotoras detalha a participação de Antonio Barbosa no grupo do ex-governador
O empresário Antonio da Cunha Barbosa, irmão do ex-governador Silval Barbosa, era responsável por representar o ex-gestor em diversos eventos ilícitos e auxiliar na arrecadação de receita de propina para a organização criminosa implantada no Palácio Paiaguás.
A revelação consta na denúncia do Ministério Público Estadual, feita em 16 de agosto passado e que corre na 7ª Vara Criminal de Cuiabá. O documento acusa Silval e seu grupo de receberem R$ 1,9 milhão em propina em troca de benefícios fiscais para as empresas Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos (Frialto) e Nortão Industrial de Alimentos.
Além dos irmãos Barbosa, foram denunciados os ex-secretários de Estado Pedro Nadaf e Marcel de Cursi, o procurador aposentado do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o “Chico Lima”, e o empresário Milton Luís Bellincanta, proprietário das empresas Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos (Frialto) e Nortão Industrial de Alimentos.
Eles são acusados dos crimes de corrupção, organização crimnosa e lavagem de dinheiro. A denúncia é assinada pelas promotoras de Justiça Januária Dorilêo e Marcia Borges Silva Campos Furlan e possui relação com o esquema de concessão ilegal de incentivos fiscais investigado na Operação Sodoma, desencadeada em 2015.
De acordo com o MPE, por conta dos “laços sanguíneos”, Antonio era a pessoa de confiança de Silval, considerado o líder do grupo criminoso. As investigações apontam que uma das tarefas de Antonio era a de proteger a figura de Silval Barbosa.
Nos depoimentos colhidos no acordo de colaboração premiada, firmado junto ao Ministério Público Federal e homologado pelo ministro relator Luiz Fux em 2017, Antonio Barbosa chegou a confessar sua participação em diversos esquemas criminosos, onde atuou junto a políticos e empresários no Estado.
“A investigação apontou que o denunciado Antonio auxiliava na arrecadação de receita ilícita para a organização criminosa, bem como, na ocultação e/ou dissimulação dos valores criminosamente arrecadados”, disse o Ministério Público na denúncia.
“Necessário registrar que a revelação tardia de sua condição de membro da organização criminosa é fruto de sua importância no grupo e imposição do líder denunciado Silval Barbosa, pois se ele fosse exposto, o então governador e ora denunciado Silval Barbosa também apareceria”, acrescentou.
O MPE pede a condenação de Antonio por lavagem de dinheiro e organização criminosa. No documento, as promotoras pedem que a Justiça conceda, caso aceite a denúncia, os benefícios da delação premiada para Antonio e a outros denunciados por terem admitido o esquema. Os benefícios de uma delação podem ir da redução da pena até mesmo ao perdão judicial.