MPE confirma caixa 2 na campanha de Lúdio Cabral
Denúncia do MPE detalha dívidas de campanha; propina arrecadada em fraudes seria para saldar débito
O Ministério Público Estadual (MPE) confirmou a prática de caixa 2 (dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral) na campanha do ex-vereador Lúdio Cabral (PT) à Prefeitura de Cuiabá, em 2012.
A informação consta na denúncia relativa à 5ª fase da Operação Sodoma, que investiga suposto esquema que teria desviado R$ 8,1 milhões dos cofres do Estado, por meio da exigência de propina aos sócios do Auto Posto Marmeleiro e da Saga Comércio e Serviço de Tecnologia e Informática Ltda, Juliano Volpato e Edézio Corrêa, em troca da concessão de contratos e de compras fraudulentas de combustível, nos anos de 2011 a 2014.
Na denúncia, assinada pela promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco, consta que o valor de combustível efetivamente consumido durante a campanha de Lúdio foi de aproximadamente R$ 2 milhões, e não os R$ 221 mil declarados à Justiça Eleitoral.
Segundo o relatório, o gerente do Posto Marmeleiro na época em que os crimes supostamente foram cometidos, Afonso Gleidson Teixeira, confirmou que o valor fornecido em combustível pela empresa à campanha eleitoral de Lúdio girava em torno de R$ 2 milhões.
No entanto, segundo Teixeira, a empresa emitiu apenas três notas fiscais referentes à movimentação: uma no valor de R$ 58 mil (NF nº 5990), outra no valor de R$ 15 mil (NF nº 6273) e uma última no valor de R$ 148 mil (NF nº 6236).
“Dos abastecimentos de combustíveis fornecidos pela empresa Marmeleiro Auto Posto Ltda. à campanha eleitoral de Lúdio Cabral e Francisco Faiad, os colaboradores Juliano Volpato e Edézio Corrêa afirmam que o valor efetivamente consumido de combustível foi de aproximadamente R$ 2 milhões, mas somente o valor de R$ 221,8 mil foi quitado e declarado à Justiça Eleitoral, mediante emissão de notas fiscais, ficando o remanescente do valor a compor o caixa 2 da campanha e pendente de pagamento”, cita trecho da denúncia.
Conforme a denúncia, o pouco mais de R$ 1,7 milhão não declarado foi pago para a Marmeleiro após a campanha, por meio dos desvios promovidos pelo então secretário de Estado de Administração, Francisco Faiad (PMDB), que foi vice de Lúdio na eleição municipal.