Mortos em Sinop tinham na ficha desde tráfico até crime sexual; negociação segue
Cinco detentos foram mortos durante a rebelião
Os cinco detentos mortos durante rebelião no presídio Ferrugem, em Sinop, tinham passagens pela polícia desde tráfico de drogas até crime sexual, com idades entre 22 a 69 anos.
Eles foram executados em função de uma rixa entre facções rivais, que teve início ontem (11).
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A rebelião foi contida e as negociações foram encerradas, contudo, devem retornar nesta quarta (12).
Devido à situação, equipes do Bope, Rotam, Garra, SOE, além do Corpo de Bombeiros, adentraram à unidade para passar a noite e garantir a segurança no local.
Conforme a ficha criminal, Reginaldo Agostinho tinha 31 anos, era pintor, natural de Altonia (PR) e era amigado com uma mulher identificada como Rosana. Ele residia no bairro Violetas e foi preso em abril de 2015, pelo crime de tráfico de drogas.
Bruno Aparecido Bezerra tinha 21 anos e estava preso desde outubro de 2014 por homicídio. Ele era casado também com uma mulher identificada como Rosana, era técnico em informática, nasceu em Matupá, e morava no Jardim Aeroporto.
Já Marcelo Viturião Carvalho, que faleceu aos 22 anos, era conhecido como “Neguinho” e morava no conjunto de chácaras Monalisa. Ele estava recluso na unidade desde fevereiro de 2013 e respondia por roubo qualificado. Antes de ser preso, Marcelo era servente de pedreiro e nasceu em Tabaporã.
Isauro Gonçalves tinha 69 anos, estava recluso por crime sexual, entretanto, não há outras informações sobre quando foi preso ou quais ocupações tinha. Por fim, José de Souza Silva foi preso e condenado por roubo. Ele sofreu um infarto dentro da unidade prisional. Na ocasião, uma equipe dos bombeiros prestou socorro e o encaminhou para o Hospital Regional, mas ele não resistiu e morreu. Também não há dados sobre quando ele foi detido nem o que fazia antes disso.
Na rebelião que durou mais de 12h, outras 17 pessoas ficaram feridas e, pelo menos, 10 foram atendidas pelas equipes da enfermaria do presídio. Em nota, a administração do hospital confirmou o atendimento de sete detentos. Entre eles dois já foram liberados e retornaram à unidade, dois passarão por procedimentos cirúrgicos, e outros dois estão internados na clínica geral. O sétimo seria José, que sofreu a parada cardíaca.
No final desta tarde os familiares dos detentos incendiaram alguns sacos de lixo em frente ao portão do presídio, como forma de manifestação. Eles alegavam que os reclusos queriam se entregar e terminar com o confronto, mas as negociações foram encerradas e devem retornar na amanhã cedo.
Os secretários de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Airton Siqueira, e o de Segurança Pública (Sesp), Roger Jarbas, concederam entrevista coletiva para explicar detalhes sobre o motim que se iniciou no raio Azul aproximadamente às 5h30. Conforme informações policiais, foi constatado que a rebelião ocorreu devido a uma rixa entre grupos rivais dentro da unidade prisional, provavelmente relacionadas ao PCC e ao Comando Vermelho, mas isso está sob investigação.
Outro fator que pode ter sido determinante para a ação dos detentos é a superlotação. Em Sinop são 828 presos para uma capacidade de 328 vagas. Neste sentido, Siqueira explica que medidas já são tomadas para sanar o problema, como a ampliação do número de vagas, que deve ocorrer a partir de maio, com 192 vagas a mais.