Médico é demitido após denúncias de pacientes em Tapurah
Ele é acusado por mais de 10 pacientes por erros graves em cirurgias
A Secretaria Municipal de Saúde de Tapurah rescindiu o contrato com o médico cirurgião Júlio Cesar da Silva, diretor do Hospital Municipal, acusado por mais de 10 pacientes por erros graves em cirurgias.
Ele é acusado de “retaliar” os pacientes e foi classificado por muitos deles como “açougueiro”. Conforme divulgou o Gazeta Digital, alguns chegaram a registrar boletim de ocorrência contra o médico.
Além disso, ele é suspeito de realizar cirurgia sem autorização dos pacientes, sem conhecimento da família ou mesmo sem realizar o pedido de exames exigidos no pré-operatório.
Após os casos virem à tona, o hospital informou por meio de nota que suspendeu as cirurgias eletivas, pelo prazo de 30 dias, para apuração dos fatos. Foi determinada ainda a abertura de sindicância para apurar o ocorrido, bem como a responsabilidade sobre o caso.
Independentemente disso, a secretaria informou que já rescindiu o contrato com o médico acusado e que encaminhará o relatório final da sindicância ao Conselho Regional de Medicina (CRM) de Mato Grosso.
“Para investigação sobre o caso, especialmente no que se refere à atuação do profissional médico, considerando que este é o órgão que possui competência para apuração”, diz trecho da nota.
O caso
O médico tem registro profissional de Mato Grosso e também Goiás e é acusado de conduta irregular pelos pacientes. Uma delas, Luciana dos Santos Barbosa Lima, 36, diz que foi "aberta" pelo médico, sem o consentimento dela ou da família, para tirar uma dúvida, que poderia ser sanada via ultrassom.
Outra paciente reclama que foi realizar uma cirurgia de apêndice, mas o médico retirou seu intestino para fora do corpo e ela teve que realizar outro procedimento em outro hospital para correção do problema. Moradores também dizem que o médico realizava cirurgias mesmo com o hospital municipal não possuindo Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Outro lado
Ao publicar a primeira matéria com as denúncias das pacientes, a reportagem procurou o médico por meio de sua secretária e deixou recado com ela e também os telefones do Gazeta Digital para que Júlio César pudesse retornar o contato e dar sua versão dos fatos. Porém, até o momento, ele não se manifestou.
Veja integra da nota divulgada pela Secretaria de Saúde:
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Tapurah, vem, por meio desta, esclarecer e comunicar a sociedade, sobre as medidas adotadas acerca de reclamação apresentada em desfavor da conduta médica do profissional Dr. Júlio Cesar, que assumiu o cargo de cirurgião médico no Hospital Municipal.
A Secretaria lamenta o fato ocorrido nas dependências do Hospital, esclarecendo que:
Após a constatação das reclamações, foi oficializado o Hospital que suspendesse as cirurgias eletivas, pelo prazo de 30 dias, para apuração dos fatos.
A Secretaria determinou a abertura de Sindicância para apurar o ocorrido, bem como a responsabilidade do caso.
Foi publicada em 27 de fevereiro de 2018, a portaria nº 117/2018, que constituiu a comissão especial de saúde para averiguação de procedimentos cirúrgicos realizados no Hospital São Paulo do Município de Tapurah – MT, durante os exercícios de 2017 e 2018.
A SMS encaminhará o relatório final conclusivo da sindicância ao Conselho Regional de Medicina (CRM) de Mato Grosso, para investigação sobre o caso, especialmente no que se refere a atuação do profissional médico, considerando que este é o órgão que possui competência para apuração.
Em que pese não ter sido concluída as diligências necessárias para a apuração dos fatos, e estarem suspensas as cirurgias no Hospital Municipal, sendo os casos de urgência e emergência encaminhados aos Hospitais de Referência, a Prefeitura Municipal, rescindiu o contrato com o profissional médico envolvido nas reclamações, na tarde de ontem (21).
Tapurah, 22 de maio de 2018.
Marco Antônio Felipe
Secretário Municipal de Saúde.