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Adolescente de MT é investigada por acompanhar, via celular, o assassinato da família do namorado no RJ
Água Boa (MT) / Itaperuna (RJ) A fronteira entre o mundo virtual e a vida real foi rompida de forma trágica no último fim de semana. Uma adolescente de 15 anos, moradora de Água Boa (MT), é suspeita de ter assistido em tempo real – e sem reagir – ao namorado, de 14 anos, executar a própria família em Itaperuna, interior do Rio de Janeiro. O caso expõe como relações iniciadas on-line podem evoluir para uma perigosa banalização da violência.
Conversas em tempo real “parecia um videogame”
Segundo a Polícia Civil fluminense, o garoto atirou contra os pais e o irmão de 3 anos enquanto trocava mensagens de texto com a namorada. Ela teria comparado o momento a “um jogo de videogame”, descrevem investigadores que analisam o conteúdo da conversa. A mato-grossense depôs por duas horas e foi liberada, mas seus prints estão sendo periciados – eles podem transformar a jovem em cúmplice, caso o Ministério Público entenda que houve instigação ou omissão dolosa.
Em depoimento, a garota afirmou manter relacionamento virtual com o agressor desde os 9 anos, quando se conheceram em partidas on-line. Psicólogos ouvidos pela reportagem apontam que a longa exposição de menores a redes sociais sem supervisão pode reforçar laços de dependência emocional, reduzir a empatia e até normalizar discursos violentos.
Após matar a família, o adolescente arrastou os corpos até uma cisterna e inventou para a avó que o irmão precisara de socorro médico. Horas depois, foi apreendido. Ele confessou o crime e, em frase que chocou os policiais, disse que “faria tudo de novo”. Pesquisas no celular indicam que o jovem buscava formas de sacar o FGTS do pai, cerca de R$ 33 mil, para custear a viagem até Mato Grosso onde planejava viver com a namorada.
O que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente
Mesmo sem completar 18 anos, ambos podem responder por ato infracional análogo a homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Caso seja apontada coautoria ou participação da jovem, ela também poderá cumprir medida socioeducativa. O prazo para conclusão do inquérito é de 45 dias, prorrogáveis.
Sinal de alerta para pais e escolas
Autoridades de MT e RJ reforçam a importância de monitorar a vida digital de crianças e adolescentes. “Pais precisam estar atentos a mudanças de comportamento e ao conteúdo das conversas on-line”, alerta a delegada responsável pelo caso. Professores também têm papel fundamental ao identificar sinais de violência ou isolamento extremo.
Próximos passos
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Perícia: celulares e computadores dos dois adolescentes passam por varredura no Laboratório de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil.
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Laudos psiquiátricos: devem avaliar a imputabilidade do menor que atirou.
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Medidas protetivas: Conselho Tutelar de Água Boa acompanha a jovem, que segue em liberdade provisória.
Enquanto o processo avança, a tragédia serve de lembrete de que, no universo hiperconectado, a linha entre fantasia e realidade pode ser mortal e exige vigilância permanente de toda a sociedade.