Suspeito investigado por quatro crimes violentos em Sorriso é capturado escondido debaixo de cama
Mato Grosso está entre os estados com mais casos de Hanseníases do Brasil
Um plano de enfrentamento à doença foi lançado
Mato Grosso está entre os estados com mais casos de Hanseníases do Brasil. Como forma de melhorar essa triste estatística, o governo do Estado lançou um plano de enfrentamento à doença.
Popularmente conhecida como Lepra, a Hanseníase é uma doença transmissível que atinge principalmente a pele e os nervos, podendo afetar a face, os braços, as pernas, as mãos e pés. Causada pelo Bacilo de Hansen, a bactéria é transmitida pelo ar, por meio de espirros e tosse. Os principais sintomas são manchas brancas ou vermelhas na pele; perda de sensibilidade ao toque, calor e dor; dormência nos pés; caroços e inchaços no corpo; dor e sensação de choque e diminuição de pelos ou suor.
Diagnóstico
O período de incubação da doença é longo, varia de 2 a 5 anos e os primeiros sintomas podem aparecer somente após sete anos. Por muitas vezes ser uma doença silenciosa, a demora da descoberta pode trazer consequências drásticas aos pacientes. Este foi o caso do agente de viagens Kenedy Paes, de 28 anos, que foi diagnosticado erroneamente com reumatismo. Em 2011, quando descobriu a Hanseníase, ele já estava há quatro anos com o tratamento inadequado e o diagnostico tardio trouxe sequelas irreversíveis, com perdas de dedos nos pés e mãos e deformações no nariz.
“Estava com a imunidade baixa, inchaço no pé e mão, sangramento nasal e orelha doendo. Fiz exame de Hanseníase, que deu negativo. Quando a situação se agravou as pessoas, até minha própria família, começaram a achar que eu estava usando droga por conta do emagrecimento e sangramentos. Só descobri minha doença porque meu nariz começou atrofiar e eu fui alertado por um amigo, ao mesmo tempo que minhas pesquisas na internet já apontavam o quadro. As pessoas com hanseníase precisam de muito apoio, porque a depressão é muito forte e tem que ter o acompanhamento de todos os lados, dermatologista, ortopedista, psicólogo”, relatou Kenedy
Assim que foi diagnosticado, o agente de viagens procurou o Centro Estadual de Referência de Média e Alta Complexidade de Mato Grosso (Cermac). Mesmo curado, ele continua frequentando o local por conta das sequelas que exigem acompanhamento médico e psicológico. Hoje ele está à frente na luta para que a doença seja mais divulgada, como forma de facilitar o diagnostico e diminuir o preconceito . “As campanhas tem que começar pela informação, porque as pessoas associam hanseníase a mancha e eu mesmo não tive nenhuma mancha. Também tem que se combater o preconceito, que começa pelos próprios pacientes. Nós demoramos muito a nos aceitar e o contato com profissionais qualificados é o mais importante”.
Tratamento
O Cermac é hoje o principal Centro de Mato Grosso para atendimento de Hanseníase. Após serem diagnosticados com a doença em uma Unidade Básica de Saúde, os pacientes com algum tipo de agravo são encaminhados ao Centro para um acompanhamento especializado. O local, que hoje atende 80 pacientes mensais, conta com profissionais especializados como ortopedista para a realização de cirurgias, enfermeiro, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e psicólogo.
“Temos a missão de fazer treinamento, capacitação e dar auxilio aos municípios. Também realizamos palestras como forma de combater o preconceito. A sociedade não tem esclarecimento e o paciente, ao iniciar o tratamento, pode ter problemas com a medicação, passa a ter uma pele escura, incha e muitas vezes acaba abandonando o tratamento. Precisamos dar maior visibilidade a essa patologia”, explica Jocineide Rita dos Santos, diretora do Cermac.
Plano de enfrentamento
O ‘Plano Estadual de Enfrentamento a Hanseníase’ foi lançado pelo governo de Mato Grosso no dia em que se celebra a luta contra a doença no Brasil. Marcada pela cor roxa, a campanha nacional de 2018, que traz o tema “Todos Contra a Hanseníase”, tem como pilares a informação e o combate ao preconceito. Um dos coordenadores da campanha no Estado, o médico Werley Perez, explica que apesar da doença ser transmitida pelas vias áreas pela respiração, por meio de gotículas de saliva, o contágio é feito de forma lenta.
“Em geral tem que morar ou trabalhar junto da pessoa que está contaminada até anos para se contaminar. Qualquer um pode ter a doença, mas ela acomete mais as de baixo poder aquisitivo, muitas vezes pelo número de pessoas em ambiente restrito, a falta de saneamento e baixa imunidade. O paciente que recebe o diagnostico muitas vezes, se não tiver acompanhamento psicológico, pode desenvolver um quadro depressivo. É uma doença que carrega muito estigma, muito preconceito”.