Adolescente de 14 anos é apreendido após agredir a própria mãe dentro de escola em Sorriso
Mãe relata abusos que filho sofreu praticados por 'professor' de escolinha de futebol
Clemente Borges Aranha, de 31 anos, atuou em Sorriso antes de ir para Cuiabá
“No começo eu custava a acreditar o que estava acontecendo com o meu filho”, relata a mãe de garoto de 14 anos que está entre as vítimas de estupro por parte de Clemente Borges Aranha, 31, que era treinador de escolinha de futebol. Conhecido como professor Willian, o acusado foi preso na última segunda-feira (17), pela Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), em cumprimento a um mandado de prisão preventiva, em Cuiabá.
Em entrevista ao , a mulher que pediu para que o nome e nem a profissão fossem divulgados, contou que descobriu o aliciamento do treinador após encontrar o filho chorando durante a madrugada e ver as conversas registradas num aplicativo de mensagens. “Meu filho relatou que o professor dizia que o levaria para fechar contratos, mas após explicar que não podia sair para passar o dia com o professor, ele disse que não teria próxima vez”, conta a mãe.
Manipulador, Clemente fazia uma espécie de “lavagem cerebral” nas crianças durante as viagens em busca do grande sonho de ser um jogador profissional de futebol. “Ele falava coisas obscenas para os meninos, falava que somente através do beijo é que se conseguia confiança em outro homem, pedia para ficar nu e até para transar”, descreve.
Os treinos realizados na região periférica do CPA tinham um custo mensal de R$ 60 para cada aluno. Mesmo o treinador não tendo formação alguma na área de educação física, era o responsável pela preparação dos garotos, entre 8 e 16 anos, e pelas viagens. A entrevistada disse que pagou cerca de R$ 1,6 mil (fora gastos com passagens e pedidos extras) para o filho ir ao Rio de Janeiro fazer um teste em um clube. Era o próprio acusado que recebia os valores pagos pelos pais dos garotos.
“Na época meu filho estava com 13 anos. Ele disse que após ficar a sós, o professor passou um gel na virilha do garoto e começou a fazer massagens até ejacular. Ele chegou a dar um comprimido vermelho dizendo que era para melhorar o rendimento em campo e meu filho disse que não dormiu”, expôs.
Assim que soube dos abusos e das propostas, a mulher pediu para que o filho se distanciasse do treinador. Em contrapartida, ela relata que o professor Willian começou a “dar em cima” dela. “Ele me mandava mensagens e eu me fazia de desentendida. Dizia que havia se declarado. Para mim, era uma forma de ele tentar desviar a atenção, como se eu fosse me deixar levar e não visse o que estava acontecendo com meu filho”, explica.
"Ele não abusou apenas fisicamente das crianças, mas dos sonhos delas. É nojento, dá muito ódio, raiva", afirma. Além da revolta causada pelo crime contra o filho, a mãe se sente culpada por não perceber a maldade do treinador. “A pessoa que não tem boa índole não vem com uma placa na testa. A gente tem sempre que ficar é de olho mesmo nas crianças, manter conversa aberta e acompanhar o máximo possível”.
Ela pede uma condenação com pena de prisão máxima para o treinador. “Na hora dá vontade de fazer Justiça com as próprias mãos, mas nós pais não vamos deixar ele impune. Quero que ele apodreça na cadeia e não saia de lá”, finaliza.
A advogada Joana Moro, que acompanha o caso, ressalta ser de extrema importância que as vítimas se manifestem e denunciem os abusos. “São casos complexos, mas que necessitam de que as vítimas sejam encorajadas a expor esses crimes. As crianças e adolescentes recebem todo o tipo de apoio psicológico e de segurança necessária”, pontua.
Informações dão conta que após a prisão de Clemente surgiram pelo menos outras 6 denúncias de estupro contra ele, porém não houve confirmação da Polícia Civil. O treinador está preso no Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC). Por medidas de segurança do criminoso, ele está detido na ala evangélica, local onde ficam os acusados por crimes sexuais, segundo a Secretaria de Justiçã e Direitos Humanos (Sejudh).
Para denunciar abusos sexuais por parte do professor, as mães e eventuais vítimas podem procurar a Deddica, na avenida Dante Martins de Oliveira, s/nº. (anexo ao Complexo Pomeri), no bairro Planalto, para efetivar a denúncia, por meio de boletim de ocorrência. Os nomes não serão divulgados, sendo realizados de forma sigilosa para proteger as vítimas.