Lista de Riva tem mais 2 ex-deputados que 'recebiam mensalinho'
Fontes dizem que eles assinavam os relatórios e registros de materiais para escritório
Subiu para 35 a quantidade de deputados de ex-deputados estaduais que figuram na lista do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, como políticos que recebiam 'mensalinho' no Legislativo Estadual como parte de um acordo velado para votarem favoráveis aos projetos de autoria do Executivo Estadual.
Os ex-deputados estaduais Hermínio J. Barreto (PR) e Joaquim Sucena (hoje PP) também foram beneficiados no esquema de recebimento, mas não tinham sido citados por Riva na audiência do dia 31 de março.
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Na quela ocasião, ao ser reinterrogado pela juíza Selma Arruda na ação penal da Operação Imperador, José Riva mencionou 33 nomes de políticos com e sem mandato que receberam valores de mensalinho que eram pagos pela Mesa Diretora com entre 2003 e 2010 com aval e participação dos então governadores, Blairo Maggi (PP) e Silval Barbosa (PMDB) para garantir a “governabilidade” e aprovação de projetos.
Mesmo depois das revelações de José Riva, a juíza Selma Arruda entendeu ser competente para julgar a ação penal no tocante ao ex-deputado esclarecendo que os fatos novos envolvendo deputados com mandato eletivo devem ser investigados em autos próprios e na instância competente, independentemente da tramitação do processo da Imperador.
Agora, fontes confirmam que J. Barreto e Sucena também recebiam mensalinhos assinavam todo mês os relatórios e registros de materiais para escritório que os deputados não recebiam, mas eram pagos para empresas de fachada que mantinham “contratos” com o Legislativo Estadual.
A Operação Imperador foi deflagrada em fevereiro de 2015, ocasião em que José Riva foi preso pela primeira vez depois que não tinha mais mandato eletivo.
O Ministério Público acusa o ex-parlamentar de ter chefiado um esquema de desvio de R$ 62 milhões da Assembleia por meio de fraudes em licitações e pagamentos a empresas que fantasmas que não entregavam os materiais supostamente contratados pelo Legislativo.
Na audiência Riva disse que o esquema de pagamento de mensalinho teve início na gestão o ex-governador tucano Dante de Oliveira (já falecido) com repasses de R$ 15 mil. Depois passou para R$ 20 mil e ao final, Riva disse acreditar que o mensalinho repassado aos deputados estava na casa dos R$ 25 mil.
Relatou ainda que em 2003 na gestão de Blairo Maggi (hoje PP), ele se recusou a fazer o repasse dos valores aos parlamentares. Disse que repassaria um valor a maior para a Assembleia no duodécimo e a Mesa Diretora que se virasse como quisesse e que contemplasse todos os parlamentares para não haver atritos e reclamações. Ele não faria os pagamentos de mensalinhos pra nenhum deputado.
O esquema da atual forma como foi desmantelado pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), segundo José Riva, começou em 2003.
O ex-presidente da Assembleia disse que entre 2003 e 2005 foi movimentado R$ 1,1 milhão. “Em 2005 quando o Silval Barbosa tinha assumido a presidência aumentou para R$ 3,4 milhões. Em 2006 foram R$ 5 milhões. Em 2007 sob a presidência de Sérgio Ricardo movimentou R$ 12 milhões, em 2008 movimentou R$ 15 milhões e outros R$ 6, 9 milhões em 2009", atestou Riva lendo planilhas com anotações manuais feitas por ele.
A confissão de José Riva atingiu 1/3 da atual composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, já que 8 dos 24 deputados estaduais foram citados por ele como beneficiários dos mensalinhos. Diante das revelações, a juíza Selma Rosane Santos Arruda, titular da 7ª Vara Criminal determinou que os autos voltassem conclusos para ela proferir uma decisão.