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Justiça mantém preso empresário acusado de mandar matar homem em Sorriso
Tribunal de Justiça rejeita habeas corpus e reforça indícios de homicídio premeditado e tentativa de ocultação de provas.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve a prisão preventiva do empresário apontado pela Polícia Civil como mandante do assassinato de Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, morto após ser esfaqueado em uma distribuidora de bebidas, em Sorriso. A decisão foi tomada após a Corte negar o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa, que buscava a revogação da prisão decretada em julho do ano passado.
Os desembargadores acompanharam o entendimento da juíza convocada Henriqueta Fernanda Lima, que já havia rejeitado o pedido em decisão monocrática. A defesa sustentava que havia irregularidades na investigação, como suposta quebra da cadeia de custódia das provas, nulidade no recebimento da denúncia e ausência de fundamentos para a manutenção da prisão. No entanto, o Tribunal concluiu que as alegações exigem análise aprofundada durante o processo e não podem ser apreciadas por meio de habeas corpus.
As investigações apontam que o crime foi planejado. De acordo com a Polícia Civil, Ivan Michel Bonotto foi atraído até a distribuidora e atacado de surpresa por um homem contratado para executá-lo. Imagens de câmeras de segurança mostram que a vítima foi golpeada pelas costas, contrariando a versão inicial apresentada pelos envolvidos, que alegavam uma briga motivada pelo consumo de bebidas alcoólicas e legítima defesa. Ivan chegou a ser socorrido, apresentou melhora no quadro clínico, mas morreu semanas depois, em decorrência das lesões.
A motivação do crime, segundo a investigação, estaria ligada ao fato de a vítima manter um suposto relacionamento amoroso com a esposa do empresário, uma médica que também responde ao processo. Ela é acusada de fraude processual por, supostamente, retirar o celular da vítima no hospital poucos minutos após sua internação e apagar mensagens, fotografias e vídeos que poderiam comprovar a relação entre ambos e identificar os envolvidos no homicídio. O aparelho só teria sido devolvido à família três dias depois.
Na decisão, o TJMT destacou que permanecem presentes os requisitos que justificam a prisão preventiva, especialmente diante da gravidade dos fatos, da necessidade de preservação da ordem pública e da garantia da instrução criminal. Com isso, o empresário continuará preso enquanto responde pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual, esta última em concurso com a esposa, que também segue respondendo às acusações na Justiça.